28 novembro 2010

Se todo brasileiro discutisse política e as causas sociais como defende seu time de futebol

É assustador assistir pela TV as cenas do que acontece no Rio de Janeiro, mais assustador é ver e ouvir o depoimento dos cariocas, das pessoas que estão tão perto do medo, dos tiros, da violência, da morte...

Por favor, não me venha dizer que isso é fruto disso ou daquilo porque todos sabemos que é reflexo de todo um complexo sistema, começa na família, passa pela educação, se desenvolve nas classes sociais e morre na falta de amor a vida. 

É em casa que se aprende os limites do espaço do outro, o respeito ao próximo. São os pais os impositores dos limites, ensinando a importância do "não" e o poder do "sim", os pais também ensinam sobre Deus, ensinam a rezar, tentam explicar a complexidade daquilo que chamamos de fé, esta que nos move e onde nos apegamos em momentos de desespero.

Depois chega a hora de encaminhar as crianças para a sociedade, na escola é o momento em que seus valores começam as ser testados, os amigos, os comportamentos e a pensar. Ah... ensinar a pensar é um grande desafio, porque os sistemas de ensino são falidos, hoje não se pode mandar ler em voz alta, exigir lição em letra de mão, corrigir com caneta vermelha, por de castigo, nada. Tudo traumatiza o aluno. Também não pode reprovar, não se ensina o básico e muito menos sobre a realidade. 

Quem gosta de estudar, se cuida, tem apoio e muitas vezes dinheiro se sai bem, quem não tem e achou o máximo não reprovar no colégio vai ficando a margem da sociedade, lutando por seu lugar ao sol.

Muitos nascem ao lado da morte, não possuem esperança de futuro, não acreditam que vale a pena estudar e nem querem ter trabalho, não acreditam em Deus e em nenhuma força maior e não possuem nada a perder. 

Como disse Marcelo Freixo em seu texto: "Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar. Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida."

Indo para o outro texto do  cineasta Padilha: " “Quem quer ser polícia no Rio de Janeiro tem que escolher: ou se omite, ou se corrompe, ou vai pra guerra”. Tanto a violência e o desrespeito aos direitos humanos do capitão Nascimento quanto a corrupção desenfreada do capitão Fábio são forjadas no mesmo lugar, pela mesma organização." 

Educação não se consegue da noite pro dia, transmitir fé, mostrar amor, se organizar, reformular a lei, reconstruir o sistema penitenciário... como lidar com quem não quer mudar? Ser radical ou otimista? 

Eu li muita coisa sobre o jeitinho brasileiro, que blá, blá, blá... é preciso dizer que há sim, muito mais gente boa do que ruim neste mundo, o problema é que os ruins são muito mais organizados e astutos e parecem maioria, por isso é preciso reformulação a longo prazo. 

Se todo brasileiro discutisse política e as causas sociais como defende seu time de futebol esse país seria imbatível.  

6 comentários:

  1. ai meu Deus que bom que era não Rafaela? bjs querida

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  2. Eu discuto política e perco amigos tudo porque eu não voto no PT e nem sou corinthiano....Heheheheh...E o São Paulo hein! Entregou o Jogo? Ainda bem! Obrigado. Beijo

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  3. A premissa é básica em qualquer manual de tirania. Divida a plebe e ela jamais se rebelará contra o poder maior. É líquido e certo e você, macaco velho, sabe disso. Basta lembrar daquele colega de trabalho "traíra", que entregou sua sagrada saidinha de cinco minutos para tomar um cafezinho, em troca de fazer média com a chefia.


    E no futebol brasileiro a perversa política da "faca nas costas" não foge à regra. Apenas interessados em preservar seus próprios interesses, os clubes do país preferem definhar na falta de organização e na subserviência a unir forças em prol de melhorias.


    Atolado até o pescoço na lama, o mundo da bola escancara, a cada dia, toda a sua sujeira e falta de ética e, infelizmente, nos contamina, massa de manobra que, cega por uma potente lavagem cerebral imposta por dirigentes, mídia e pela estupidez reinante em nossa sociedade, transforma um esporte em, literalmente, campo de batalha, onde impera a violência, seja física ou verbal.


    Desculpem o termo, mas somos uns otários. Conseguimos ficar aqui discutindo futebol da pior maneira, enquanto os caras que, efetivamente, ganham o pão nos gramados prosseguem suas vidas na maior curtição.


    Desculpem outro termo, mas somos uns boçais. Conseguimos ficar por aí, em estádios, ruas e pontos de ônibus, nos matando, trazendo dor a famílias alheias, simplesmente porque vestimos cores diferentes.


    Somos mesmo uns babacas. Fazemos de um passatempo o motivo de nossa existência.


    Somos burros, incapazes de enxergar mais de um palmo à frente. Somos enganáveis. Somos manipuláveis. Somos imbecis.


    E ainda temos a arrogância de achar que nadamos contra maré. Que estamos "contra tudo e contra todos", quando, na verdade estamos no mesmo barco.


    Na canoa furada daquele que não consegue transitar tranquilamente em uma via expressa, pois corre o risco de ter seu veículo queimado.


    Na nau desenganada de quem estudou horrores para fazer um exame e não sabe se ele terá valor ou não.


    No bote desgovernado de quem acorda cedo para procurar o sonhado emprego que nunca chega.


    Ora, se tivéssemos na política, na economia, ou no simples exercício de nossas profissões, o engajamento que demonstramos ao debater futebol, acho que textos idiotas como esse meu jamais seriam escritos.


    A gente somos é um bando de inútil!



    Abraço!

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  4. Oi Rafa!

    Indiquei um selo de Paz pra você lá no blog.

    Abraços!
    http://nanoberger.blogspot.com

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  5. Nossa, disse tudo.

    Melhor caminho seria a educação.
    Mas para o sistema pra quê educação? se tudo que eles precisam é de eleitorees não instruídos? INformadores de opinião.

    É a corrupção, o dinheiro fácil nas mãos de poucos. Monopólio sujo e injusto.

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  6. Querida, Rafaela...

    Primeiramente PARABÉNS pelo texto tão bem escrito e pelas reflexões que ele proporciona... você está coberta de razão no que diz... estamos muito preocupados em limitar o poder dos educadores e nos lixando para o comportamento cada vez amis rebelde desse jovens!

    A sociedade resolveu ignorar que seu papel nessa guerra civil é indispensável e ele começa a ser posto em prática em casa! Ao invés de procurar corromper autoridades para livrar a cara dos infratores, os pais, por exemplo, deveriam buscar meios de frear o comportamento violento de seus filhos mal criados! Bem, mas isso é um assunto bem longo para esgotá-lo por aqui...

    No mais, me desculpo pela ausência ao tempo em que estou para lhe desejar tudo de melhor nesse finzinho de ano!

    Um beijão.
    Jr.

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