"A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer de nós é coragem" Guimarães Rosa.
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06 outubro 2016
Razões que a razão desconhece
Já dizia a música Eduardo e Mônica: "quem irá dizer que não existe razão pras coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer que não existe razão?"
A razão diz pra você que isso não é bem assim, que você está entendendo tudo errado, que não há nada que você possa fazer para ser diferente. Que você é um bobo, sim bobo! Assuma as rédeas dessa situação imediatamente, esqueça as expectativas e bola pra frente.
26 agosto 2016
Vírgulas
| Caminho para o Forte dos Reis Magos - Natal - RN |
A vírgula é um convite para ir mais devagar, ela te dá a chance de pensar se para e conclui ou se continua, pode ser também hora de listar grandes acontecimentos ou coisas que precisam ser esquecidas.
Um vírgula no lugar errado muda todo o sentido, assim também é na vida, se você fica estático quando precisa correr ou se vai depressa demais quando é hora de observar, você não perceberá qual é o seu momento. Mudar o sentido das coisas às vezes é necessário, principalmente se algo dentro de você clama por isso e você nem percebe, assim fica mudando as vírgulas de lugar sem perceber o que está fazendo.
Algumas pessoas só usam pontos: se de interrogação é porque não confiam, não se entregam, não se permitem. Se de exclamação vivem tão intensamente que não param, porém as mais tristes e que mais me atormentam são aquelas que só usam pontos finais, seja para encerrar pequenos períodos ou grandes ciclos, mas também são cheias de certezas, seu dia a dia não tem reticências, nem vírgulas, elas simplesmente são e nada se pode fazer se elas não quiserem mudar o jeito de escrever sua vida.Tantos sinais e o ser humano é uma criatura tão complexa que se atormenta em escolher um, mal sabe que um bom texto precisa de todos eles. O que seriam das eternas vírgulas se não pudéssemos por um ponto final? Todavia, quão duro é um ponto final se temos tantas vírgulas pra contar?
Todo mundo merece um ponto final para aliviar o peso das vírgulas
( Márcio Rodrigues - Blog Um travesseiro para dois)
18 de Agosto/2016
18 de Agosto/2016
26 julho 2016
A Vergonha da Vila Olímpica
Quanto mais eu vejo menos eu creio na capacidade de síndrome de vira lata, sem vergonha, que acha que todo mundo é besta e vai aceitar qualquer desculpa do brasileiro.
O país tinha ( tem) outras prioridades antes de uma Olimpíada, mas já que se meteu a fazer, gastou, um grande volume de dinheiro foi desviado como sempre nesta piada de lugar. Faz direito!
Agora entregar uma vila olímpica com goteira, entupimento, lixo, fiação exposta, sem luz, vasos sanitários entopidos, ar condicionados que nunca funcionaram com defeito e pior: não assumir isso.
Ah,... por fabor, cala boca prefeito! Cala boca comitê olímpico brasileiro! Para de aumentar essa vergonha! O prefeito do Rio de Janeiro teve a cara de pau de ironizar os australianos dizendo que colocaria cangurus para eles gostarem da vila. As fotos divulgadas envergonham, dão nojo, é um dinheiro totalmente mal gasto, um dinheiro que a gente já não tinha, gasto de qualquer maneira, é uma falta de cuidado e perfeição a qual reflete essa mania de querer dar um jeitinho, o problema do Brasil é o brasileiro.
Muitos se revoltam, mas poucos fazem valer o que realmente acham, quando se informam, não sabem argumentar e viram militantes irritantes, daqueles que batem no peito e falam alto para impor o que acham, não sabem debater, não sabem comprovar, só esperneiam e ainda se acham entendidos de tudo.
Voltando aos jogos olímpicos, quanta vergonha alheia! Os EUA contrataram encanador pra arrumar o apto deles.
Os estrangeiros não são os brasileiros.
E ainda vamos ver gente elogiando nossa estrutura. ( sqn)
O país tinha ( tem) outras prioridades antes de uma Olimpíada, mas já que se meteu a fazer, gastou, um grande volume de dinheiro foi desviado como sempre nesta piada de lugar. Faz direito!
Agora entregar uma vila olímpica com goteira, entupimento, lixo, fiação exposta, sem luz, vasos sanitários entopidos, ar condicionados que nunca funcionaram com defeito e pior: não assumir isso.
Ah,... por fabor, cala boca prefeito! Cala boca comitê olímpico brasileiro! Para de aumentar essa vergonha! O prefeito do Rio de Janeiro teve a cara de pau de ironizar os australianos dizendo que colocaria cangurus para eles gostarem da vila. As fotos divulgadas envergonham, dão nojo, é um dinheiro totalmente mal gasto, um dinheiro que a gente já não tinha, gasto de qualquer maneira, é uma falta de cuidado e perfeição a qual reflete essa mania de querer dar um jeitinho, o problema do Brasil é o brasileiro.
Muitos se revoltam, mas poucos fazem valer o que realmente acham, quando se informam, não sabem argumentar e viram militantes irritantes, daqueles que batem no peito e falam alto para impor o que acham, não sabem debater, não sabem comprovar, só esperneiam e ainda se acham entendidos de tudo.
Voltando aos jogos olímpicos, quanta vergonha alheia! Os EUA contrataram encanador pra arrumar o apto deles.
Os estrangeiros não são os brasileiros.
E ainda vamos ver gente elogiando nossa estrutura. ( sqn)
19 junho 2014
Autoterapia
Cazuza já cantava : "Vida louca vida" e é um pensamento que passa pela cabeça naqueles momentos de autoterapia nos quais começamos a contabilizar aquilo que queríamos ter feito, mas não deu. Somamos com o que desejamos fazer e não sabemos como, multiplicamos por uma enorme vontade de mudar, de realizar, fazer acontecer e simplesmente esquecemos de forma cruel aquilo que já realizamos.
Não nos permitimos usufruir das conquistas, apenas nos cobramos pelas "não - conquistas", entendendo estas como algo diferente de fracasso, porque quando se fracassa deixa-se de ter sucesso naquilo que se tentou fazer, mas quando não se conquista algo, simplesmente vai deixando pra depois, pra mais tarde, para um dia qualquer ou para quando eu crescer e de repente o prazo que você se deu acaba e você adia um pouco mais.
Aí você entra no Facebook e encontra lá aquelas frases motivacionais como por exemplo "Quem quer algo vai lá e faz e quem não quer arruma uma desculpa". Será que é tão simples assim? Afinal, a gente não vive sozinho neste mundo e tantos são os acontecimentos que nos fazem parar: alguém doente na família, um acontecimento no trabalho ou simplesmente ser "sociável", pais, irmãos, namorados, filhos e até o cachorro te cobra atenção vem com o brinquedo na boca e balançando o rabinho com aquele olhar pidão que diz: "Vamos brincar?" ( risos)
E a gente continua pensando na vida....
Outro questionamento que me faço diz respeito a efemeridade das relações, quase descartáveis. É algo como experimentar é preciso, se não gostar deixa passar, mas também é permitido brincar. Se você fala algo que a pessoa não gosta ela simplesmente te muda para a categoria dos "ex-amigos" simples, rápido e fácil assim.
De tudo, porém, o pior são os rabugentos, aqueles seres que repetem todos os dias " Óh vida, óh azar!"? O dia amanheceu feio hoje. Aff... segunda-feira. ou ainda ninguém me ama, ninguém me entende".
Socorro! Gente mais chata! E vejam que aqueles os quais viveram situações difíceis - como por exemplo um pai/mãe que tem um AVC de repente e muda a vida dos filhos, a rotina da casa devido aos cuidados exigidos - criam uma força tão grande para perseverar, continuar vivendo, recomeçar e sorrir. Muitas dessas pessoas servem de exemplo pra você que está em autoterapia pensar mais na vida, mas principalmente parar de reclamar dela.
Melhor parar de adiar e começar a realizar coisas.
17 setembro 2012
Pausa ou expansão
Férias são sempre uma boa oportunidade de andar por aí, sem rumo, sem destino, observando as pessoas, seus olhares e reações, coisa que não dá muito tempo de fazer quando a gente está na louca rotina do dia a dia, costumo brincar que apesar de teoricamente trabalharmos 8 horas por dia, gastamos bem mais tempo se considerarmos o almoço, a ida e a volta e tudo o que envolve a jornada nossa de cada dia, por essas e outras é que eu sou uma apaixonada pelas férias.
Alguns workhollics acham isso uma injúria, alguns até te ameaçam dizendo: "Tá insatisfeito? Pede pra sair!" As pessoas talvez não entendam o que eu sinto, não estou dizendo que não gosto, não quero ou algo parecido, mas que férias são essenciais. Eu não me vejo sem elas, não consigo me imaginar sem uma pausa, sem essa pausa.
Saber que eu posso acordar sem pressa, não precisa ser tarde, no meu caso não é. Descer com a cachorra ( Juju gosta de passear), comprar pão, tomar meu café-da-manhã ouvindo a TV, sem pensar em nada.
Escrever os emails que está devendo, visitar os amigos que a muito tempo não se via, marcar aqueles almoços que estão virando lenda e porque não arrumar o guarda-roupa que se falasse gritava por socorro.
As férias nos fazem ficar conosco, é como um bate-papo que mais parece um monólogo: o que tem feito da sua vida além de trabalhar? Tem cuidado do corpo e da mente? Quais são mesmo os seus Hobbies? Será que você ainda se lembra deles?
Quer sinal mais claro do que férias do que Vale a pena ver de novo e Sessão da tarde? Você tem certeza que pode por os pés pra cima.
Vivemos no mundo da velocidade que nos atropela e parece loucura ir contra a maré desejando exatamente desacelerar, se avaliar, se permitir.
Todavia, nem só de ócio podemos passar as férias, imagem voltar a trabalhar e quando perguntarem o que fizeste nas férias e você responder? nada. Tem gente que precisa, mas pra mim também não dá.
Acho que tenho uma alma hiperativa e contraditória, porque por mais que eu deseje a pausa, também vejo esse momento como de expansão, afinal eu tenho tempo, posso viajar, ir a lugares que nunca fui e apreciar sem pressa, passear, tomar sol, quem sabe uma água de coco gelada ou um chopp na beira da piscina.
Por que eu acho que mereço? Trabalhei um ano inteiro. Quero férias!!!
10 fevereiro 2012
Danilo Gentilli fala sobre Racismo
O Ex-CQC Danilo Gentili fez uma piada com o King-Kong no Twitter e gerou uma série de discussões, não consegui encontrar nada que autenticasse a veracidade do texto, mas como achei inteligente e convidativo a reflexão resolvi dividir. Quero tecer umas considerações:
Ninguém está 100% certo ou errado então vale a pena a leitura interpretativa e cuidadosa do texto. Está ficando chato esse negócio das pessoas terem que tomar partido e defender uma ideia para sempre, não é à toa que o ser humano pensa, é para analisar os pontos, os dois lados de uma mesma moeda, que acreditem: sempre são diferentes.
Eu confesso que estou achando chato esse negócio de não pode isso, não pode aquilo, mas veja, isso não é igual a dizer que se pode tudo. A liberdade de um termina quando começa a individualidade do outro. Se você invade meu espaço, viola minha imagem eu tenho direito a indenização moral, está na Constituição, é um direito fundamental. Por isso que o Rafinha Bastos foi punido e não porque ele fez piada de mal gosto. Não é que não pode, é que existem limites.
Bom, não quero me prolongar muito.
Peço desculpas a todos pela ausência aqui no blog e nas visitas, estou estudando pra concurso mais uma vez. Torçam por mim que se tudo der certo eu volto logo.
Um grande abraço
Abram o coração e pensem com carinho, dividam sua opinião. Eis o texto:
Eis o perigo de mexer com pessoas inteligentes....
O humorista Danilo Gentili postou a seguinte piada no seu twitter:
"King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?"
A ONG Afrobras se posicionou contra: "Nos próximos dias devemos fazer uma carta de repúdio. Estamos avaliando ainda uma representação criminal", diz José Vicente, presidente da ONG. "Isso foi indevido, inoportuno, de mau gosto e desrespeitoso. Desrespeitou todos os negros brasileiros e também a democracia. Democracia é você agir com responsabilidade" , avalia Vicente.
Alguns minutos após escrever seu primeiro "twitter" sobre King Kong, Gentili tentou se justificar no microblog:
"Alguém pode me dar uma explicação razoável por que posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa, mas nunca um negro de macaco?" (GENIAL) "Na piada do King Kong, não disse a cor do jogador. Disse que a loira saiu com o cara porque é famoso. A cabeça de vocês é que têm preconceito."
Mas, calma! Essa não foi a tal resposta genial que está no título, e sim ESTA:
"Se você me disser que é da raça negra, preciso dizer que você também é racista, pois, assim como os criadores de cachorros, acredita que somos separados por raças. E se acredita nisso vai ter que confessar que uma raça é melhor ou pior que a outra, pois, se todas as raças são iguais, então a divisão por raça é estúpida e desnecessária. Pra que perder tempo separando algo se no fundo dá tudo no mesmo?
Quem propagou a ideia que "negro" é uma raça foram os escravagistas. Eles usaram isso como desculpa para vender os pretos como escravos: "Podemos tratá-los como animais, afinal eles são de uma outra raça que não é a nossa. Eles são da raça negra".
Então quando vejo um cara dizendo que tem orgulho de ser da raça negra, eu juro que nem me passa pela cabeça chamá-lo de macaco, MAS SIM DE BURRO.
Falando em burro, cresci ouvindo que eu sou uma girafa. E também cresci chamando um dos meus melhores amigos de elefante. Já ouvi muita gente chamar loira caucasiana de burra, gay de v***** e ruivo de salsicha, que nada mais é do que ser chamado de restos de porco e boi misturados.
Mas se alguém chama um preto de macaco é crucificado. E isso pra mim não faz sentido. Qual o preconceito com o macaco? Imagina no zoológico como o macaco não deve se sentir triste quando ouve os outros animais comentando:
- O macaco é o pior de todos. Quando um humano se xinga de burro ou elefante dão risada. Mas quando xingam de macaco vão presos. Ser macaco é uma coisa terrível. Graças a Deus não somos macacos.
Prefiro ser chamado de macaco a ser chamado de girafa. Peça a um cientista que faça um teste de Q.I. com uma girafa e com um macaco. Veja quem tira a maior nota.
Quando queremos muito ofender e atacar alguém, por motivos desconhecidos, não xingamos diretamente a pessoa, e sim a mãe dela. Posso afirmar aqui então que Darwin foi o maior racista da história por dizer que eu vim do macaco?
Mas o que quero dizer é que na verdade não sei qual o problema em chamar um preto de preto. Esse é o nome da cor não é? Eu sou um ser humano da cor branca. O japonês da cor amarela. O índio da cor vermelha. O africano da cor preta. Se querem igualdade deveriam assumir o termo "preto" pois esse é o nome da cor. Não fica destoante isso: "Branco, Amarelo, Vermelho, Negro"?. O Darth Vader pra mim é negro. Mas o Bill Cosby, Richard Pryor e Eddie Murphy que inspiram meu trabalho, não. Mas se gostam tanto assim do termo negro, ok, eu uso, não vejo problemas. No fim das contas, é só uma palavra. E embora o dicionário seja um dos livros mais vendidos do mundo, penso que palavras não definem muitas coisas e sim atitudes.
Digo isso porque a patrulha do politicamente correto é tão imbecil e superficial que tenho absoluta certeza que serei censurado se um dia escutarem eu dizer: "E aí seu PRETO, senta aqui e toma uma comigo!". Porém, se eu usar o tom correto e a postura certa ao dizer "Desculpe meu querido, mas já que é um afrodescendente, é melhor evitar sentar aqui. Mas eu arrumo uma outra mesa muito mais bonita pra você!" Sei que receberei elogios dessas mesmas pessoas; afinal eu usei os termos politicamente corretos e não a palavra "preto" ou "macaco", que são palavras tão horríveis.
Os politicamente corretos acham que são como o Superman, o cara dotado de dons superiores, que vai defender os fracos, oprimidos e impotentes. E acredite: isso é racismo, pois transmite a ideia de superioridade que essas pessoas sentem de si em relação aos seus "defendidos"
Agora peço que não sejam racistas comigo, por favor. Não é só porque eu sou branco que eu escravizei um preto. Eu juro que nunca fiz nada parecido com isso, nem mesmo em pensamento. Não tenham esse preconceito comigo. Na verdade, SOU ÍTALO-DESCENDENTE. ITALIANOS NÃO ESCRAVIZARAM AFRICANOS NO BRASIL. VIERAM PRA CÁ E, ASSIM COMO OS PRETOS, TRABALHARAM NA LAVOURA. A DIFERENÇA É QUE ESCRAVA ISAURA FEZ MAIS SUCESSO QUE TERRA NOSTRA.
Ok. O que acabei de dizer foi uma piada de mau gosto porque eu não disse nela como os pretos sofreram mais que os italianos. Ok. Eu sei que os negros sofreram mais que qualquer raça no Brasil. Foram chicoteados. Torturados. Foi algo tão desumano que só um ser humano seria capaz de fazer igual. Brancos caçaram negros como animais. Mas também os compraram de outros negros. Sim. Ser dono de escravo nunca foi privilégio caucasiano, e sim da sociedade dominante. Na África, uma tribo vencedora escravizava a outra e as vendia para os brancos sujos.
Lembra que eu disse que era ítalo-descendente? Então. Os italianos podem nunca ter escravizados os pretos, mas os romanos escravizaram os judeus. E eles já se vingaram de mim com juros e correção monetária, pois já fui escravo durante anos de um carnê das Casas Bahia.
Se é engraçado piada de gay e gordo, por que não é a de preto? Porque foram escravos no passado hoje são café com leite no mundo do humor? É isso? Eu posso fazer a piada com gay só porque seus ancestrais nunca foram escravos? Pense bem, talvez o gay na infância também tenha sofrido abusos de alguém mais velho com o chicote.
Se você acha que vai impor respeito me obrigando a usar o termo "negro" ou "afrodescendente" , tudo bem, eu posso fazer isso só pra agradar. Na minha cabeça, você será apenas preto e eu, branco, da mesma raça - a raça humana. E você nunca me verá por aí com uma camiseta escrita "100% humano", pois não tenho orgulho nenhum de ser dessa raça que discute coisas idiotas de uma forma superficial e discrimina o próprio irmão."
Suposto Racismo
10 abril 2011
Os mistérios do horizonte e outros tantos
| Capri - Itália - por Rafaela Andrade |
Essa foto é em direção a Ilha de Capri na Itália eu a escolhi hoje para refletirmos sobre esse horizonte, o dia não estava muito bonito, confesso, mas a paisagem era intrigante, o contraste da água azul e do céu nublado indicavam chuva, mas nem sempre acontece assim em nossas vidas.
Podemos limpar essa escuridão ( como a chuva limpa o céu)
Podemos ficar um tempão remoendo essa nuvem negra ( como problemas que não se vão)
Ás vezes acreditamos que podemos nos molhar se sairmos na chuva
Noutras vezes saímos na chuva e não nos molhamos
Eu ainda quero entender os sinais.
Boa semana!
Rafaela Andrade
Vejam no Apenas um Ponto Esportivo
Superliga Masculina: Sesi emocionante e até logo Vivo Minas
Vôlei de PRaia - Etapa Santa Maria - RS - Feliz Aniversário Larissa e agora Alison e Emanuel
16 março 2011
Vou ali abrir uma Igreja e já venho
Parece mentira, não é.
Acho que rimos para não chorar.
Criar igreja e se livrar de imposto custa R$ 418
Reportagem de Hélio Schwartsman, da equipe de articulistas da Folha, mostra que bastam cinco dias úteis e R$ 418,42 para criar uma igreja no Brasil com CNPJ, conta bancária e direito de realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).
A reportagem, publicada neste domingo na Folha, informa ainda que não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja nem se exige um número mínimo de fiéis --basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório.
Além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos) e ISS (serviços), entre outros impostos. Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas.
O primeiro milagre do heliocentrismo
Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja.
Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos) . É tudo muito simples.
Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.
Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.
Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.
LISTA DE IGREJAS ABERTAS NO BRASIL EM 2010 (até setembro)
- Igreja da Água Abençoada
- Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
- Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
- Congregação Anti-Blasfêmias
- Igreja Chave do Éden
- Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta (QUE ISSO, alguém explica?)
- Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
- Igreja Batista Ô Glória!
- Congregação Pass o para o Futuro
- Igreja Explosão da Fé
- Igreja Pedra Viva
- Comunidade do Coração Reciclado - (Jesusssssssssssss!!!)
- Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
- Cruzada de Emoções
- Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
- Congregação Plena Paz Amando a Todos
- Igreja A Fé de Gideão
- Igreja Aceita a Jesus
- Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém - (do Pará?????)
- Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
- Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo (Olha o Noé aí Gennnnnteeeeeee!!!)
- Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
- Comunidade Arqueiros de Cristo
- Igreja Automotiva do Fogo Sagrado (ESSE DEVIA TER ABERTO UMA CONCESSIONÁRIA)
- Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
- Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
- Igreja Palma da Mão de Cristo
- Igreja Menina dos Olhos de Deus
- Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
- Associação Evangélica Fiel Até Debaixo DÁgua (No fogo ninguém quer!!!hehe)
- Igreja Batista Ponte para o Céu
- Igreja Pentecostal do Fogo Azul
- Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
- Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
- Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
- Igreja Filho do Varão (Opa!!! O Pastor é o homem beringela)
- Igreja da Oração Eficiente - (Quanto maior a fé, menor a oração)
- Igreja da Pomba Branca
- Igreja Socorista Evangélica
- Igreja A de Amor (NESSA SÓ DEVE TER ADORADORES DA XUXA)
- Cruzada do Poder Pleno e Misteri oso
- Igreja do Amor Maior que Outra Força
- Igreja Dekanthalabassi (Se o nome é assim, imaginem a reza como é!!!)
- Igreja dos Bons Artifícios
- Igreja Cristo é Show
- Igreja dos Habitantes de Dabir
- Igreja Eu Sou a Porta
- Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
- Igreja da Bênção Mundial
- Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
- Igreja Barco da Salvação
- Igreja Pentecostal do Pastor Sassá ( é o Sassá mutema?)
- Igreja Sinais e Prodígios
- Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
- Igreja do Manto Branco
- Igreja Caverna de Adulão ( Ahã!! O mestre dos magos é Sacerdote lá)
- Igreja Este Brasil é Adventista
- Igreja E..T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) (????????)
- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus (QUE DEUS ME PERDOE, MAS ISSO FICOU TÃO GAY)
- Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
- Ministério Eis-me Aqui
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
- Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
- Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
- Igreja Evangélica Facho de Luz (Agora descobri de onde vem a expressão: Crente do facho de luz)
- Igreja Batista Renovada Lugar Forte
- Igreja Atual dos Últimos Dias
- Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te
- Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
- Igreja Evangélica Bola de Neve
- Igreja Evangélica Adão é o Homem (ALGUÉM TINHA ALGUMA DÚVIDA QUANTO A ISSO???????? ?)
- Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
- Ministério Maravilhas de Deus
- Igreja Evangélica Fonte de Milagres
- Comunidade Porta das O velhas
- Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica (QUE EGOÍSTA)
- Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo (O CARA QUE INVENTOU ESSE NOME ESTAVA CHEIRADO)
- Igreja Evangélica Luz no Escuro
- Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim (NÃO DÁ PRA CHEGAR UM POUCO MAIS CEDO)
- Igreja Pentecostal Planeta Cristo
- Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos (Jovens talentos???)
- Igreja Evangélica Pentecostal da Bênção Ininterrupta
- Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés (COITADO DO MOISÉS TROCARAM O PAUZINHO DELE POR UMA COBRINHA rsrsrsrs)
- Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão (SENHOR ISSO É HERESIA)
- Igreija Evangélica Muçulmana Javé é Pai (PÔ, ESSE AQUI NÃO TEM NEM NOÇÃO DE RELIGIÃO rsrsrsrs.
- Igreja Abre-te-Sésamo (AHHHH, ESSA SIM, TA NO ESQUEMA DE ALI BABA SÓ NÃO INFORMARAM COM QUANTOS LADRÕES.)
- Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus
- Igreja Bailarinas da Valsa Divina (SERÁ QUE ESSA É MEIO CLUBE DA LULUZINHA??? OU SERÁ QUE HOMENS TB PODEM PARTICIPAR?)
- Igreja Batista Floresta Encantada (FICA NA DISNEY ISSO????)
- Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder
- Igreja do Louvre
- Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção
- Igreja Evangélica Batalha dos Deuses (PENSEI QUE EVANGÉLICOS FOSSEM MONOTEÍSTAS)
- Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem Pecados (é o Cristo em pessoa!!)
- Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior
- Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida
- Igreja Pentecostal Marilyn Monroe (???????) (ESSE DEVE TER PREMONIÇÕES HOLLYWOODIANAS)
- Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo (ISSO É SACANAGEM)
- Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia -DF)
- Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis -GO)
- Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis -GO) COITADO DO ALTÍSSIMO,VIROU FUGITIVO
- Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte -MG)
- Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna -MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei(Poços de Caldas-MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia -MG)
- Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem -MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas -MS)
- Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)
- Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro -RJ)
- Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro -RJ)
(É mais fácil abrir uma igreja do que um boteco....)
16 fevereiro 2011
As situções que você mesmo cria
Tem gente que reclama de tudo, faz da reclamação um hábito de vida e abusa do fato de ser rabugento.
Engraçado é ver que algumas dessas pessoas nem se dão conta do que fazem, pior do que isso, não percebem que os motivos reclamados, justos ou não são simplesmente atitudes do dia a dia em que eles próprios se colocaram.
Explico.
Se um sapato de faz calo e esse não é o seu único par, porque você continua usando?
Não querer fazer o serviço doméstico e ao mesmo tempo achar que os filhos estão muito cansados para ajudar.
Diz que não tem dinheiro, mas sempre compra a última roupa da moda.
Sinceramente? Vai ser chato bem longe de mim.
Em homenagem aos chatos deixo um texto especial para eles:
Engraçado é ver que algumas dessas pessoas nem se dão conta do que fazem, pior do que isso, não percebem que os motivos reclamados, justos ou não são simplesmente atitudes do dia a dia em que eles próprios se colocaram.
Explico.
Se um sapato de faz calo e esse não é o seu único par, porque você continua usando?
Não querer fazer o serviço doméstico e ao mesmo tempo achar que os filhos estão muito cansados para ajudar.
Diz que não tem dinheiro, mas sempre compra a última roupa da moda.
Sinceramente? Vai ser chato bem longe de mim.
Em homenagem aos chatos deixo um texto especial para eles:
FALANDO DE CHATOS... ( autor desconhecido)
Chato:Uma pessoa que fala quando deveria estar ouvindo.Um chato nunca perde o seu tempo. Perde o dos outros.Chato só não ronca quando dorme sozinho.O chato quando está com tosse nunca vai ao medico.Vai ao teatro. Todo chato cutuca.O Chato é o sujeito que fica mais tempo com você do que você com ele.O Chato é aquele que para de fumar para ficar chateando quem fuma.O Chato é o cara que vai com você na rua mas para de 2 em 2 metros, porque não sabe conversar andando.O Chato é aquele cara que conta tudo tim-tim por tim-tim e ainda entra em detalhes.O Chato é aquele cara que você diz: "Passa lá em casa" e ele vai mesmo.Geralmente os chatos começam dizendo: "Fica chato dizer isso, mas..."
Toda pessoa tem seu dia de chato mas o chato é todo dia.Chato x - São aqueles que chegam por trás de você, geralmente em algum momento especial, colocam as mãos nos seus olhos e dizem: Adivinha quem eeeéhhh?
Charaguai - São aqueles confundidos com as pessoas normais, de um ou outro sexo, cuja bolsa contem sempre listas para passar, rifas, bilhetes, relógios, brinquedos e tudo que arranque algum de alguém.
Chatelho - São aqueles que possuem nível Superior ou Graduação. Geralmente, ultrapassam as virtudes do chato normal e passam a ser chamados carinhosamente de Chefe ou Diretor Pentelho.
Chatanas - São aqueles absolutos, incuráveis, irremediáveis, irrecuperáveis, irreversíveis, inevitáveis, inenarráveis, retroativos, infinitos, indiscutíveis, indivisíveis, implacáveis, e imortais.
Chaxarope - São aqueles reconhecidos por toda a comunidade de chatos e nao-chatos. Geralmente, dentro de uma empresa, são colocados em lugares cercados por diversos armários para sua proteção.
Charoso - São aqueles que ao final do expediente das empresas se enchem de Vitess, Leite de Rosas, Seiva de Alfazema e Cepacol na boca. Ao saírem cheios de charme deixam o ar agonizantemente suave para os outros respirarem.
Chatelectual - São aqueles indivíduos, seres, coisas ou evento cuja presença, existência, atitude, ação ou lembrança, continuamente, tem a capacidade de inspirar sentimentos contrários a alegria de viver, a paz de espirito e a Paz Mundial.
Chatinho - São aqueles indivíduos baixinhos das empresas ou então algum aprendiz ou estagiário que não atingiu o grau necessário para ser um chato normal. O chato tem altura e experiência mínima necessária.
Chatonauta - São aqueles freqüentadores da Internet que pensam que sabem de tudo. Freqüentam sempre as salas de chat (do latim chatum pentelhum encravadum)e seu grito de guerra é daaaaa. Ao se conectarem passam da condição de chatos normais para a de super-chatos.
Chatologo - São aqueles que dizem resolver todos os seus problemas através de cartas, búzios, taro, numerologia, horóscopo, etc. São encontrados nos 0900, nos classificados dos jornais e na televisão. Geralmente fazem a cabeça de pessoas que passam por aí.
24 janeiro 2011
Troféu Franboesa de Ouro
Eu confesso que não conhecia, mas quando vi a chamada no Estadão para ler e adorei. É o Oscar dos Piores Filmes e atores do ano e o mais indicado é Eclipse.
Sempre estive alheia a série e não queria pegar gosto, mas muita gente, não adolescente, leu os livros e simplesmente achou muito bom, então quando estava com vontade de ler algo comprei a Saga inteira e devorei um livro por semana sem piscar, a linguagem é gostosa, a história é de romântica, bem água com açúcar, mas contada com detalhes e apaixonante.
Ao terminar os livros quis ver os filmes e me arrependi. Quanta decepção! O que são aqueles atores? Robert Pattinson, Kristen Stewart e Taylor Lautnersão muito ruins, até o pessoal do teatro da escola dão de dez a zero neles.
A Bela, personagem principal tem a mesma expresão para dor, alegria, medo e vergonha. Ela quer fugir e faz cara de: nada!!!
E como disse um desconhecido no twitter que foi retwittado milhares de vezes: "Edward Cullen, voa, brilha, dá lições de moral, se apaixonada e vive na floresta, não é um vampiro. É uma fada"
Repito, quando li o livro me apaixonei pelo Edward, quando vi o filme o achei uma fada, é mal interpretado.
Voltando ao Troféu Franboesa, o trio da Saga Crepúsculo, concorre na categora piores interpretações do ano.
Único filme que disputa lado a lado é Sex and the City 2 recebeu sete indicações, incluindo pior elenco e pior diretor.
Vejam abaixo as indicações:
Pior filme
Caçador de Recompensa
A Saga Crepúsculo: Eclipse
O Último Mestre do Ar
Sex and the City 2
Os Vampiros Que Se Mordam
Pior ator
Robert Pattinson (A Saga Crepúsculo: Eclipse e Lembranças)
Taylor Lautner (A Saga Crepúsculo: Eclipse e Idas e Vindas do Amor)
Jack Black (As Viagens de Gulliver)
Gerard Butler (Caçador de Recompensa)
Ashton Kutcher (Par Perfeito e Idas e Vindas do Amor)
Pior atriz
Kristen Stewart (A Saga Crepúsculo: Eclipse)
Jennifer Aniston (Caçador de Recompensa e Coincidências do Amor)
Miley Cyrus (A Última Música)
Megan Fox (Jonah Hex - Caçador de Recompensas)
Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Kristin Davis e Cynthia Nixon (Sex and the City 2)
Pior ator coadjuvante
Billy Ray Cyrus (Missão Quase Impossível)
George Lopez (Marmaduke, Missão Quase Impossível e Idas e Vindas do Amor)
Dev Patel (O Último Mestre do Ar)
Jackson Rathbone (O Último Mestre do Ar e A Saga Crepúsculo: Eclipse)
Rob Schneider (Gente Grande)
Pior atriz coadjuvante
Jessica Alba (The Killer Inside Me, Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família, Machete e Idas e Vindas do Amor)
Cher (Burlesque)
Liza Minnelli (Sex and the City 2)
Nicola Peltz (O Último Mestre do Ar)
Barbra Streisand (Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família)
Pior uso de 3D
Como Cães e Gatos 2
Fúria de Titãs
O Último Mestre do Ar
O Quebra-Nozes 3D
Jogos Mortais: O Final
Pior casal em cena/ pior elenco
Jennifer Aniston e Gerard Butler, em Caçador de Recompensa
Josh Brolin e Megan Fox, em Jonah Hex - Caçador de Recompensas
Elenco inteiro de A Saga Crepúsculo: Eclipse
Elenco inteiro de Sex and the City 2
Elenco inteiro de O Último Mestre do Ar
Pior diretor
Sylvester Stallone (Os Mercenários)
Jason Friedberg e Aaron Seltzer (Os Vampiros Que Se Mordam)
Michael Patrick King (Sex and the City 2)
M. Night Shyamalan (O Último Mestre do Ar)
David Slade (A Saga Crepúsculo: Eclipse)
Pior roteiro
O Último Mestre do Ar
Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família
Sex and the City 2
A Saga Crepúsculo: Eclipse
Os Vampiros Que Se Mordam
Pior sequência ou remake
Fúria de Titãs
O Último Mestre do Ar
Sex and the City 2
A Saga Crepúsculo: Eclipse
20 dezembro 2010
Síndrome do Vira-lata ou da Mulher que não se valoriza
Síndrome de Vira Lata ou da mulher que não se valoriza. No primeiro caso o cãozinho tem cama e prefere o caixa velha de papelão; tem um brinquedo moderno, mas prefere um paninho surrado. Quando falamos da mulher, eu divido uma história:
Meu ex-diretor na Prefeitura gostava de elogiar, uma vez ele me disse: " Que vestido bonito, você ficou muito bem nele!" Eu respondi: Comprei numa promoção! Ele: " Ah, não! Eita mulherada dificil!" Vem, cá!
E me levou para uma outra sala apontando para as outras moças da sala e continuou: " Eu disse para ela ali que ela estava bonita, sabe o que ela respondeu? Mentiroso, eu engordei na última semana. Eu disse aquela dali a mesma coisa e ela me disse que eu estava mentindo. Qual o problema de vocês? Será que não é possível dizer simplesmente Obrigada. Vocês não sabem receber elogio.
Este post é especialmente para dizer que enquanto o são-paulino até delira ao dizer que seu time é o máximo, o brasileiro é incapaz de reconher o brilho de seu país, ontem a natação brasileira teve um bom desempenho no mundial e o que se lê em diversos lugares,?
- Ah... mas nas Olimpíadas perde.
- Isso não foi nada
- Prata não é ouro.
- Estrutura que é bom não tem, isso é pura enganação.
Eu venho dividir minha indignação, realmente falta muito no quesito estrutura para o Brasil ser uma potência no esporte. Prata não é ouro, é prata, mas é um passo para o ouro, quem é prata está mais perto do ouro do que o oitavo colocado. Claro que é uma vitória estar entre os melhores do mundo, já que não temos estrutura, patrocínio e incentivo. Porque é tão dificil para o brasileiro simplesmente reconhecer que foi um lindo dia e que entrará para a história?
Pelo menos neste dia, vibrar por Cesar Cielo sem ter que perguntar porque ele não treina no Brasil, sem questionar o patrocínio, a exceção... simplesmente dizer: " Parabéns!"
Ninguém estará se enganando ao dizer isso, não estaremos acreditando que viramos uma potência e que daqui para frente tudo será diferente.
Simplesmente estamos reconhecendo o valor da vitória e do esforço, dizendo: Parabéns! Você pelo menos por hoje, é o melhor.
28 novembro 2010
Se todo brasileiro discutisse política e as causas sociais como defende seu time de futebol
É assustador assistir pela TV as cenas do que acontece no Rio de Janeiro, mais assustador é ver e ouvir o depoimento dos cariocas, das pessoas que estão tão perto do medo, dos tiros, da violência, da morte...
Por favor, não me venha dizer que isso é fruto disso ou daquilo porque todos sabemos que é reflexo de todo um complexo sistema, começa na família, passa pela educação, se desenvolve nas classes sociais e morre na falta de amor a vida.
É em casa que se aprende os limites do espaço do outro, o respeito ao próximo. São os pais os impositores dos limites, ensinando a importância do "não" e o poder do "sim", os pais também ensinam sobre Deus, ensinam a rezar, tentam explicar a complexidade daquilo que chamamos de fé, esta que nos move e onde nos apegamos em momentos de desespero.
Depois chega a hora de encaminhar as crianças para a sociedade, na escola é o momento em que seus valores começam as ser testados, os amigos, os comportamentos e a pensar. Ah... ensinar a pensar é um grande desafio, porque os sistemas de ensino são falidos, hoje não se pode mandar ler em voz alta, exigir lição em letra de mão, corrigir com caneta vermelha, por de castigo, nada. Tudo traumatiza o aluno. Também não pode reprovar, não se ensina o básico e muito menos sobre a realidade.
Quem gosta de estudar, se cuida, tem apoio e muitas vezes dinheiro se sai bem, quem não tem e achou o máximo não reprovar no colégio vai ficando a margem da sociedade, lutando por seu lugar ao sol.
Muitos nascem ao lado da morte, não possuem esperança de futuro, não acreditam que vale a pena estudar e nem querem ter trabalho, não acreditam em Deus e em nenhuma força maior e não possuem nada a perder.
Como disse Marcelo Freixo em seu texto: "Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar. Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida."
Indo para o outro texto do cineasta Padilha: " “Quem quer ser polícia no Rio de Janeiro tem que escolher: ou se omite, ou se corrompe, ou vai pra guerra”. Tanto a violência e o desrespeito aos direitos humanos do capitão Nascimento quanto a corrupção desenfreada do capitão Fábio são forjadas no mesmo lugar, pela mesma organização."
Educação não se consegue da noite pro dia, transmitir fé, mostrar amor, se organizar, reformular a lei, reconstruir o sistema penitenciário... como lidar com quem não quer mudar? Ser radical ou otimista?
Eu li muita coisa sobre o jeitinho brasileiro, que blá, blá, blá... é preciso dizer que há sim, muito mais gente boa do que ruim neste mundo, o problema é que os ruins são muito mais organizados e astutos e parecem maioria, por isso é preciso reformulação a longo prazo.
Se todo brasileiro discutisse política e as causas sociais como defende seu time de futebol esse país seria imbatível.
Rio de Janeiro - Por JOSÉ PADILHA - Tropa de Elite
O cineasta responsável pela série Tropa de Elite faz um interessante análise da Guerra.
Do Estadão
Por que o Rio de Janeiro é uma cidade tão violenta? Por que tem um número tão alto de homicídios e de assaltos todo ano? Por que grande parte da capital carioca, sobretudo as áreas mais carentes, está dominada por grupos armados? Por que a história do Rio é marcada pela repetição de acontecimentos traumáticos na área de segurança pública, acontecimentos que chamam a atenção do mundo?
Vigário Geral e Candelária explicitaram a violência absurda da polícia carioca. O sequestro do Ônibus 174 demonstrou a precariedade dessa polícia e deixou à mostra a violência de um ex-menino de rua que preferiu “tentar a sorte” a se entregar ao Estado que o torturou a vida inteira. O brutal assassinato de Tim Lopes mostrou que os traficantes cariocas não são Robin Hoods do morro, mas criminosos que utilizam métodos brutais. A tortura de jornalistas de O Dia por milicianos deu origem à CPI que revelou máfias de bombeiros, policiais civis e policiais militares no comando de comunidades carentes, com o apoio de vereadores, deputados estaduais e até deputados federais. E, finalmente, o ataque sistemático do tráfico a vários pontos da cidade, e a reação subsequente da polícia, “desentocou” um verdadeiro exército armado na Vila Cruzeiro e o expôs para todo mundo ver.
Afinal, por que o Rio de Janeiro é assim?
Uma resposta, a da esquerda naïve, postula que a violência no Rio de Janeiro decorre da miséria e da luta de classes, e diz que para combatê-la é necessário acabar com as diferenças sociais, distribuir a renda e educar a população. Há também a resposta da direita naïve, que reduz a violência do Rio a um problema de repressão e diz que ela se explica pela falta de firmeza da polícia e das leis.
As duas respostas estão erradas, contradizem fatos conhecidos.
A primeira não dá conta de cidades que têm índices de desenvolvimento humanos (IDH) piores do que os do Rio de Janeiro e índices de violência menores. A segunda está na contramão da história, que demonstra que incrementos na repressão podem piorar os índices de violência. Foi assim no governo Marcelo Alencar, quando o Estado adotou a remuneração faroeste e passou a premiar os policiais em função do número de criminosos que “abatiam”. A partir daí, o número de autos de resistência, de policiais que declararam ter matado criminosos que resistiram à prisão, cresceu e continua absurdo até hoje.
Muitas vezes, o passo mais importante para encontrar a solução de um problema é enunciá-lo corretamente. Ônibus 174, Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 são uma tentativa de enunciar o problema da segurança pública do Rio de Janeiro a partir da premissa de que a violência carioca resulta, em grande parte, da atuação direta de instituições públicas que convertem miséria em violência. À luz dessa premissa, a violência urbana está relacionada à falta de educação e à concentração de renda, mas a relação não é direta e simples, é intermediada por fatores complexos. Acredito que no Rio o mais importante desses fatores seja o efeito perverso que certas organizações administradas pelo Estado têm sobre parte da população.
Ônibus 174 conta a história de Sandro Rosa do Nascimento, um menino que fugiu de uma tragédia familiar e foi viver nas ruas do Rio. Sandro se tornou um pequeno criminoso para sobreviver. Como menino de rua, viu representantes do Estado (policiais militares) matar crianças como ele na Candelária, foi preso e tratado com extrema violência pelo sistema socioeducativo do Estado, foi espancado e obrigado a conviver com traficantes e criminosos muito mais violentos que ele no Instituto Padre Severino e deu entrada no sistema prisional carioca, onde o Estado o colocou em uma cela superlotada e insalubre. O torturou por anos.
A tese de Ônibus 174, exemplificada pela trajetória de Sandro, é muita clara: as organizações que deveriam reeducar os pequenos criminosos os convertem em criminosos violentos. Não fui eu quem formulou essa tese, diga-se de passagem. Foi o próprio Sandro, que a gritou em altos brados da janela do ônibus para quem quisesse ouvir.
Em Tropa de Elite tentei dizer que a mesma coisa acontece no âmbito da polícia. O Estado trata muito mal os indivíduos que se propõem a trabalhar nas organizações policiais. Paga pouco, treina mal, e os submete a uma cultura organizacional militarizada e kafkiana, que tolera a corrupção e estimula a violência. Como disse o capitão Nascimento: “Quem quer ser polícia no Rio de Janeiro tem que escolher: ou se omite, ou se corrompe, ou vai pra guerra”. Tanto a violência e o desrespeito aos direitos humanos do capitão Nascimento quanto a corrupção desenfreada do capitão Fábio são forjadas no mesmo lugar, pela mesma organização. Certa feita um governador do Rio de Janeiro disse a mim e ao jornalista Rodrigo Pimentel que Tropa de Elite era um filme demasiado pessimista. Em sua opinião, a PM do Rio não era tão corrupta quanto pensávamos. Pelas suas contas, um terço dos policiais do Rio é corrupto, outro terço é honesto, e o restante variava conforme o comando. Se a PM do Rio tem mais de 13 mil homens corruptos, então o problema não são seus homens, é a organização. Os policiais do Rio de Janeiro são vítimas da PM.
A tese de Tropa de Elite, instanciada na trajetória do aspirante André Mathias, é igualmente óbvia: as instituições que deveriam combater a criminalidade convertem boa parte das pessoas que trabalham nelas em policiais corruptos e violentos. Fazem isso com grande eficiência e em altas taxas.
Acredito que cada um dos casos simbólicos que listei, de Vigário Geral à tomada da Vila Cruzeiro, ilustra essa tese. Cada um deles envolve traficantes, policiais corruptos e policiais violentos cuja subjetividade e comportamento criminoso foram moldados por instituições do Estado.
Fiz um terceiro filme, Tropa de Elite 2, para tentar dizer por que o Estado funciona assim. Em Tropa de Elite 2 o capitão Nascimento é promovido a subsecretário de inteligência e obrigado a lidar com as conexões que existem entre a polícia e a política. São essas conexões, muitas vezes calcadas em interesses e lógicas eleitorais, que criam e mantêm as instituições que descrevi nos filmes anteriores.
Voltando ao mundo real, deixo claro que apoio as UPPs e sou favorável a esse projeto do governador Sérgio Cabral. Reconheço que ele é fundamental para recuperar o território que o tráfico tomou. Acredito que o Rio não pode recuar no primeiro confronto. Todavia, acho que o projeto das UPPs é apenas meio projeto, e não um projeto inteiro. Onde está a reforma da polícia? Não a maquiagem, mas a reforma concreta, o programa eficiente de seleção e treinamento de policiais, o programa de capacitação profissional, o pagamento de salários dignos, o seguro saúde e o auxílio-educação para as famílias dos policiais? Onde está a corregedoria que funciona? Onde está a reforma do sistema prisional? A capacitação dos agentes penitenciários? A reforma do sistema socioeducativo? A boa formação dos seus operadores?
O projeto das UPPs é fundamental para a sobrevivência do paciente, mas ignora as causas da doença. Na ausência de uma real reforma das instituições que mencionei, o esforço e o engajamento da população carioca no projeto das UPPs pode ser em vão. Afinal, quem vai ocupar as comunidades libertadas? A mesma polícia que conviveu com o tráfico de drogas na cidade por mais de 30 anos, o viu crescer e se expandir e o deixou se instalar. O projeto das UPPs não é um projeto da polícia, é um projeto do governo. O que garante, no médio ou no longo prazo, quando este governo sair e outro entrar no lugar, que as UPPs não se tornarão áreas de milícia?
Eu me lembro, na ocasião do Ônibus 174, que o então presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, foi à TV prometer um plano nacional capaz de reformar as instituições ligadas à segurança pública em todo o Brasil. Teve dois mandatos para cumprir a promessa, e não o fez. Depois veio o atual presidente Lula, do PT. Apresentou um Plano Nacional de Segurança bem bolado, escrito pelo professor Luiz Eduardo Soares. Estamos ao final do seu segundo mandato e o plano continua engavetado. Finalmente, não vamos esquecer o PMDB, do governador Sérgio Cabral, que em ambos governos nada propôs de significativo na área da segurança. A verdade é que nos últimos 30 anos nossos políticos ficaram vendo inocentes morrer. Lavaram as mãos.
O que aconteceu no Rio de Janeiro nessa semana foi significativo. Creio que vai acontecer de novo se o governador insistir com as UPPs. E, como a Copa do Mundo e a Olimpíada estão aí, não há outra alternativa viável. Os confrontos serão inevitáveis e recorrentes. Espero que esses confrontos sirvam para, além de libertar comunidades carentes, forçar o governo federal a entrar de cabeça na luta contra o crime e implementar um plano de nacional de segurança sério, capaz de resolver de uma vez por todas o problema da segurança pública no Brasil.
JOSÉ PADILHA É CINEASTA E DIRETOR DE 'ÔNIBUS 174', 'TROPA DE ELITE', 'TROPA DE ELITE 2', 'GARAPA' E 'SEGREDOS DA TRIBO'
Do Estadão
Carcaça de uma sociedade
A tragédia carioca, maldito fruto de instituições públicas que convertem miséria em violência
Por que o Rio de Janeiro é uma cidade tão violenta? Por que tem um número tão alto de homicídios e de assaltos todo ano? Por que grande parte da capital carioca, sobretudo as áreas mais carentes, está dominada por grupos armados? Por que a história do Rio é marcada pela repetição de acontecimentos traumáticos na área de segurança pública, acontecimentos que chamam a atenção do mundo?
Vigário Geral e Candelária explicitaram a violência absurda da polícia carioca. O sequestro do Ônibus 174 demonstrou a precariedade dessa polícia e deixou à mostra a violência de um ex-menino de rua que preferiu “tentar a sorte” a se entregar ao Estado que o torturou a vida inteira. O brutal assassinato de Tim Lopes mostrou que os traficantes cariocas não são Robin Hoods do morro, mas criminosos que utilizam métodos brutais. A tortura de jornalistas de O Dia por milicianos deu origem à CPI que revelou máfias de bombeiros, policiais civis e policiais militares no comando de comunidades carentes, com o apoio de vereadores, deputados estaduais e até deputados federais. E, finalmente, o ataque sistemático do tráfico a vários pontos da cidade, e a reação subsequente da polícia, “desentocou” um verdadeiro exército armado na Vila Cruzeiro e o expôs para todo mundo ver.
Afinal, por que o Rio de Janeiro é assim?
Uma resposta, a da esquerda naïve, postula que a violência no Rio de Janeiro decorre da miséria e da luta de classes, e diz que para combatê-la é necessário acabar com as diferenças sociais, distribuir a renda e educar a população. Há também a resposta da direita naïve, que reduz a violência do Rio a um problema de repressão e diz que ela se explica pela falta de firmeza da polícia e das leis.
As duas respostas estão erradas, contradizem fatos conhecidos.
A primeira não dá conta de cidades que têm índices de desenvolvimento humanos (IDH) piores do que os do Rio de Janeiro e índices de violência menores. A segunda está na contramão da história, que demonstra que incrementos na repressão podem piorar os índices de violência. Foi assim no governo Marcelo Alencar, quando o Estado adotou a remuneração faroeste e passou a premiar os policiais em função do número de criminosos que “abatiam”. A partir daí, o número de autos de resistência, de policiais que declararam ter matado criminosos que resistiram à prisão, cresceu e continua absurdo até hoje.
Muitas vezes, o passo mais importante para encontrar a solução de um problema é enunciá-lo corretamente. Ônibus 174, Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 são uma tentativa de enunciar o problema da segurança pública do Rio de Janeiro a partir da premissa de que a violência carioca resulta, em grande parte, da atuação direta de instituições públicas que convertem miséria em violência. À luz dessa premissa, a violência urbana está relacionada à falta de educação e à concentração de renda, mas a relação não é direta e simples, é intermediada por fatores complexos. Acredito que no Rio o mais importante desses fatores seja o efeito perverso que certas organizações administradas pelo Estado têm sobre parte da população.
Ônibus 174 conta a história de Sandro Rosa do Nascimento, um menino que fugiu de uma tragédia familiar e foi viver nas ruas do Rio. Sandro se tornou um pequeno criminoso para sobreviver. Como menino de rua, viu representantes do Estado (policiais militares) matar crianças como ele na Candelária, foi preso e tratado com extrema violência pelo sistema socioeducativo do Estado, foi espancado e obrigado a conviver com traficantes e criminosos muito mais violentos que ele no Instituto Padre Severino e deu entrada no sistema prisional carioca, onde o Estado o colocou em uma cela superlotada e insalubre. O torturou por anos.
A tese de Ônibus 174, exemplificada pela trajetória de Sandro, é muita clara: as organizações que deveriam reeducar os pequenos criminosos os convertem em criminosos violentos. Não fui eu quem formulou essa tese, diga-se de passagem. Foi o próprio Sandro, que a gritou em altos brados da janela do ônibus para quem quisesse ouvir.
Em Tropa de Elite tentei dizer que a mesma coisa acontece no âmbito da polícia. O Estado trata muito mal os indivíduos que se propõem a trabalhar nas organizações policiais. Paga pouco, treina mal, e os submete a uma cultura organizacional militarizada e kafkiana, que tolera a corrupção e estimula a violência. Como disse o capitão Nascimento: “Quem quer ser polícia no Rio de Janeiro tem que escolher: ou se omite, ou se corrompe, ou vai pra guerra”. Tanto a violência e o desrespeito aos direitos humanos do capitão Nascimento quanto a corrupção desenfreada do capitão Fábio são forjadas no mesmo lugar, pela mesma organização. Certa feita um governador do Rio de Janeiro disse a mim e ao jornalista Rodrigo Pimentel que Tropa de Elite era um filme demasiado pessimista. Em sua opinião, a PM do Rio não era tão corrupta quanto pensávamos. Pelas suas contas, um terço dos policiais do Rio é corrupto, outro terço é honesto, e o restante variava conforme o comando. Se a PM do Rio tem mais de 13 mil homens corruptos, então o problema não são seus homens, é a organização. Os policiais do Rio de Janeiro são vítimas da PM.
A tese de Tropa de Elite, instanciada na trajetória do aspirante André Mathias, é igualmente óbvia: as instituições que deveriam combater a criminalidade convertem boa parte das pessoas que trabalham nelas em policiais corruptos e violentos. Fazem isso com grande eficiência e em altas taxas.
Acredito que cada um dos casos simbólicos que listei, de Vigário Geral à tomada da Vila Cruzeiro, ilustra essa tese. Cada um deles envolve traficantes, policiais corruptos e policiais violentos cuja subjetividade e comportamento criminoso foram moldados por instituições do Estado.
Fiz um terceiro filme, Tropa de Elite 2, para tentar dizer por que o Estado funciona assim. Em Tropa de Elite 2 o capitão Nascimento é promovido a subsecretário de inteligência e obrigado a lidar com as conexões que existem entre a polícia e a política. São essas conexões, muitas vezes calcadas em interesses e lógicas eleitorais, que criam e mantêm as instituições que descrevi nos filmes anteriores.
Voltando ao mundo real, deixo claro que apoio as UPPs e sou favorável a esse projeto do governador Sérgio Cabral. Reconheço que ele é fundamental para recuperar o território que o tráfico tomou. Acredito que o Rio não pode recuar no primeiro confronto. Todavia, acho que o projeto das UPPs é apenas meio projeto, e não um projeto inteiro. Onde está a reforma da polícia? Não a maquiagem, mas a reforma concreta, o programa eficiente de seleção e treinamento de policiais, o programa de capacitação profissional, o pagamento de salários dignos, o seguro saúde e o auxílio-educação para as famílias dos policiais? Onde está a corregedoria que funciona? Onde está a reforma do sistema prisional? A capacitação dos agentes penitenciários? A reforma do sistema socioeducativo? A boa formação dos seus operadores?
O projeto das UPPs é fundamental para a sobrevivência do paciente, mas ignora as causas da doença. Na ausência de uma real reforma das instituições que mencionei, o esforço e o engajamento da população carioca no projeto das UPPs pode ser em vão. Afinal, quem vai ocupar as comunidades libertadas? A mesma polícia que conviveu com o tráfico de drogas na cidade por mais de 30 anos, o viu crescer e se expandir e o deixou se instalar. O projeto das UPPs não é um projeto da polícia, é um projeto do governo. O que garante, no médio ou no longo prazo, quando este governo sair e outro entrar no lugar, que as UPPs não se tornarão áreas de milícia?
Eu me lembro, na ocasião do Ônibus 174, que o então presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, foi à TV prometer um plano nacional capaz de reformar as instituições ligadas à segurança pública em todo o Brasil. Teve dois mandatos para cumprir a promessa, e não o fez. Depois veio o atual presidente Lula, do PT. Apresentou um Plano Nacional de Segurança bem bolado, escrito pelo professor Luiz Eduardo Soares. Estamos ao final do seu segundo mandato e o plano continua engavetado. Finalmente, não vamos esquecer o PMDB, do governador Sérgio Cabral, que em ambos governos nada propôs de significativo na área da segurança. A verdade é que nos últimos 30 anos nossos políticos ficaram vendo inocentes morrer. Lavaram as mãos.
O que aconteceu no Rio de Janeiro nessa semana foi significativo. Creio que vai acontecer de novo se o governador insistir com as UPPs. E, como a Copa do Mundo e a Olimpíada estão aí, não há outra alternativa viável. Os confrontos serão inevitáveis e recorrentes. Espero que esses confrontos sirvam para, além de libertar comunidades carentes, forçar o governo federal a entrar de cabeça na luta contra o crime e implementar um plano de nacional de segurança sério, capaz de resolver de uma vez por todas o problema da segurança pública no Brasil.
JOSÉ PADILHA É CINEASTA E DIRETOR DE 'ÔNIBUS 174', 'TROPA DE ELITE', 'TROPA DE ELITE 2', 'GARAPA' E 'SEGREDOS DA TRIBO'
Rio de Janeiro - " Eles nem sabem o porquê"
Dividindo algumas opiniões, de nada se tem total certeza, mas são aspectos diferentes, opiniões diversas do mesmo drama.
Do blog do Juca Kfouri.
Não haverá vencedores
MARCELO FREIXO
Dezenas de jovens pobres, negros, armados de fuzis, marcham em fuga, pelo meio do mato. Não se trata de uma marcha revolucionária, como a cena poderia sugerir em outro tempo e lugar.
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.
Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.
As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna “guerra” entre o bem e o mal.
Como o “inimigo” mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da “guerra”, enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de “guerra”- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário…
MARCELO FREIXO, professor de história, deputado estadual (PSOL-RJ), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Nota do Blog do Juca Kfouri:
A lucidez de Freixo é eloquente.
E note que, até agora, nenhum político foi preso pela operação policial.
Nem mesmo nenhum integrante das milícias que dominam os morros.
E o governador do Rio também não consegue dar uma explicação razoável para a mansão que possui.
Do blog do Juca Kfouri.
Não haverá vencedores
MARCELO FREIXO
| Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública do Rio terá de passar pela garantia dos direitos dos cidadãos da favela |
Eles estão com armas nas mãos e as cabeças vazias. Não defendem ideologia. Não disputam o Estado. Não há sequer expectativa de vida.
Só conhecem a barbárie. A maioria não concluiu o ensino fundamental e sabe que vai morrer ou ser presa.
As imagens aéreas na TV, em tempo real, são terríveis: exibem pessoas que tanto podem matar como se tornar cadáveres a qualquer hora. A cena ocorre após a chegada das forças policiais do Estado à Vila Cruzeiro e ao Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro.
O ideal seria uma rendição, mas isso é difícil de acontecer. O risco de um banho de sangue, sim, é real, porque prevalece na segurança pública a lógica da guerra. O Estado cumpre, assim, o seu papel tradicional. Mas, ao final, não costuma haver vencedores.
Esse modelo de enfrentamento não parece eficaz. Prova disso é que, não faz tanto tempo assim, nesta mesma gestão do governo estadual, em 2007, no próprio Complexo do Alemão, a polícia entrou e matou 19. E eis que, agora, a polícia vê a necessidade de entrar na mesma favela de novo.
Tem sido assim no Brasil há tempos. Essa lógica da guerra prevalece no Brasil desde Canudos. E nunca proporcionou segurança de fato. Novas crises virão. E novas mortes. Até quando? Não vai ser um Dia D como esse agora anunciado que vai garantir a paz. Essa analogia à data histórica da 2ª Guerra Mundial não passa de fraude midiática.
Essa crise se explica, em parte, por uma concepção do papel da polícia que envolve o confronto armado com os bandos do varejo das drogas. Isso nunca vai acabar com o tráfico. Este existe em todo lugar, no mundo inteiro. E quem leva drogas e armas às favelas?
É preciso patrulhar a baía de Guanabara, portos, fronteiras, aeroportos clandestinos. O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve.
Falta vontade política para valorizar e preparar os policiais para enfrentar o crime onde o crime se organiza -onde há poder e dinheiro. E, na origem da crise, há ainda a desigualdade. É a miséria que se apresenta como pano de fundo no zoom das câmeras de TV. Mas são os homens armados em fuga e o aparato bélico do Estado os protagonistas do impressionante espetáculo, em narrativa estruturada pelo viés maniqueísta da eterna “guerra” entre o bem e o mal.
Como o “inimigo” mora na favela, são seus moradores que sofrem os efeitos colaterais da “guerra”, enquanto a crise parece não afetar tanto assim a vida na zona sul, onde a ação da polícia se traduziu no aumento do policiamento preventivo. A violência é desigual.
É preciso construir mais do que só a solução tópica de uma crise episódica. Nem nas UPPs se providenciou ainda algo além da ação policial. Falta saúde, creche, escola, assistência social, lazer.
O poder público não recolhe o lixo nas áreas em que a polícia é instrumento de apartheid. Pode parecer repetitivo, mas é isso: uma solução para a segurança pública terá de passar pela garantia dos direitos básicos dos cidadãos da favela.
Da população das favelas, 99% são pessoas honestas que saem todo dia para trabalhar na fábrica, na rua, na nossa casa, para produzir trabalho, arte e vida. E essa gente -com as suas comunidades tornadas em praças de “guerra”- não consegue exercer sequer o direito de dormir em paz.
Quem dera houvesse, como nas favelas, só 1% de criminosos nos parlamentos e no Judiciário…
MARCELO FREIXO, professor de história, deputado estadual (PSOL-RJ), é presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Nota do Blog do Juca Kfouri:
A lucidez de Freixo é eloquente.
E note que, até agora, nenhum político foi preso pela operação policial.
Nem mesmo nenhum integrante das milícias que dominam os morros.
E o governador do Rio também não consegue dar uma explicação razoável para a mansão que possui.
01 novembro 2010
Que Triste
Ontem após o anúncio da vitória de Dilma Rousseff os brasileiros, não uma maioria - Graças a Deus, se engalfinharam no Twitter, no real sentido da palavra.
Eleitores dos dois candidatos com argumentos infantis e colocações preconceituosas tentavam a todo custo convencer o outro como se algo fosse mudar.
Há uma ilusão na cabeça de alguns de que somente os nortistas e nordestinos votam no PT por causa do bolsa família - para esses informo que no total Dilma ganhou no Sul/ Sudeste.
Outra alucinação é de que todo os humildes e de baixa renda votam na Dilma, mais um engano, muitos votaram no Serra, como muita gente da classe alta e média não votou.
O pior de todos os preconceitos na minha opinião ainda é aquele que versa sobre a "inteligência" e "intelectualidade" do eleitor, POUPEM-ME dessa blá, blá, blá... Todos são livres e possuem uma visão particular do todo, isso se chama DIVERSIDADE, e poder escolher chama-se DEMOCRACIA. É melhor os que se acham tão bons procurar entender esses conceitos, antes de abrir a boca.
No mais, independente do seu voto e de sua opinião. Vamos fiscalizar juntos e cobrar um bom governo. Boa sorte a nossa presidente!
Ah... Quem quiser ler algum artigo bem escrito sobre a visão politica, sem agressão ao próximo e falando de governo, sugiro:
O voto em Dilma
O voto em Serra
Blog Altamiro Borges
Eleitores dos dois candidatos com argumentos infantis e colocações preconceituosas tentavam a todo custo convencer o outro como se algo fosse mudar.
Há uma ilusão na cabeça de alguns de que somente os nortistas e nordestinos votam no PT por causa do bolsa família - para esses informo que no total Dilma ganhou no Sul/ Sudeste.
Outra alucinação é de que todo os humildes e de baixa renda votam na Dilma, mais um engano, muitos votaram no Serra, como muita gente da classe alta e média não votou.
O pior de todos os preconceitos na minha opinião ainda é aquele que versa sobre a "inteligência" e "intelectualidade" do eleitor, POUPEM-ME dessa blá, blá, blá... Todos são livres e possuem uma visão particular do todo, isso se chama DIVERSIDADE, e poder escolher chama-se DEMOCRACIA. É melhor os que se acham tão bons procurar entender esses conceitos, antes de abrir a boca.
No mais, independente do seu voto e de sua opinião. Vamos fiscalizar juntos e cobrar um bom governo. Boa sorte a nossa presidente!
Ah... Quem quiser ler algum artigo bem escrito sobre a visão politica, sem agressão ao próximo e falando de governo, sugiro:
O voto em Dilma
O voto em Serra
Blog Altamiro Borges
21 outubro 2010
LAMA NO VENTILADOR
O título lembra outro, bem mais popular, mas também mais chulo. De qualquer modo, com uma ou outra maneira de falar, a expressão remete à maré de mensagens e contra-mensagens que vem sendo veiculada pela Internet sobre a temática religião e eleições. Pessoas individuais de renome, grupos mais ou menos representativos, instituições conhecidas e internautas anônimos – todos juntos produzem uma avalanche estonteante de notas, e-mails, acusações, defesas, apelos... Uma montanha de informações e contra-informações jogada diariamente na praça pública da Internet. A ponto de não mais sermos capazes de discernir o oficial do oficioso, o certo do errado, o ético do antiético, o lixo do reciclável.
Entre os defensores de Dilma Rousself, por um lado, e de José Serra, por outro, torna-se difícil distinguir de onde vem mais peso e mais poluição. Ambos os lados expressam, antes de tudo, uma ansiedade mórbida em desqualificar a todo custo o opositor ou opositora. Nessa guerra, que insistimos em chamar de processo eleitoral, entra-se sem escrúpulos na vida particular, fabricam-se factóides sobre factóides, exageram-se dados e obras realizadas, compara-se o governo FHC com o governo Lula... O fato é que a quantidade de informações se avoluma, sem que seja possível decidir o que é falso do que é verdadeiro.
Como fica o eleitor? Como separar o joio do trigo? O que existe efetivamente por trás desse afã de reduzir a escombros a estátua política do adversário ou adversária? Por que essa ânsia de jogar lama sobre a história e os feitos da outra coligação, preservando a própria de qualquer tipo de ato-crítica? Como acumular elementos para uma decisão consciente e madura? Felizmente, ainda é pequena, embora crescente, a porcentagem de cidadãos que se rege pelas dicas da Internet. Mas, infelizmente, tudo isso respiga para a televisão, o rádio e os jornais. De toda essa cacofonia virtual resulta uma verdadeira caricatura, seja do candidato ou candidata, seja do pleito como tal. A dificuldade de chegar aos fatos é diretamente proporcional à montanha de boatos que vão se avolumando.
Sem sombra de dúvida, estamos diante de uma questão falsa ou de um pseudo-problema. Não apenas por reduzir a defesa da vida ao combate ao aborto ou à famosa frase “desde a concepção até a morte natural”. Na verdade a vida está ameaçada não somente no ventre materno, mas também, e às vezes com maior grau de violência, nas ruas e praças de nossas cidades; nos morros, favelas e periferias das grandes metrópoles, na tortura oculta no interior das unidades do sistema prisional; no tráfico de armas, droga e de seres humanos; no trabalho escravo, degradante e infantil; na miséria, fome e subnutrição de milhões de crianças que, por todo o mundo, convivem com o luxo e o desperdício; na inviolabilidade do lar, onde mulheres e crianças suportam anos a fio de uma violência silenciosa e silenciada, no extermínio de jovens entre 15 e 25 anos, seja por parte da polícia, seja na luta das gangues pelos pontos de tráfico... Sem falar de guerras, conflitos armados, violência aberta, acidentes de trânsito e de trabalho, atropelamentos, e assim por diante.
Há mais uma razão, entretanto, para classificar essa baixaria da campanha eleitoral de pseudo-problema. Tenho insistido, e repito, que no pleito de 2010 não estamos diante de uma disputa entre dois projetos de nação, e sim entre duas maneiras de governar o mesmo projeto. Uma rápida retrospectiva das décadas de 1980-90, mostra uma disputa entre um “projeto popular para o Brasil”, por uma parte, e um “projeto liberal/neoliberal”, por outra. Enquanto o primeiro, com raízes históricas de longa data, é representando nessas décadas pelo Partido dos Trabalhadores e pela figura de Lula, o segundo também tem raízes no tempo da Colônia e, mais recentemente, é incorporado por políticos como José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor. De fato, o programa do PT e de Lula não surgiu como um meteoro, mas mergulha seu alicerce e suas motivações nas lutas, movimentos e iniciativas populares dos últimas 50 anos.
A vitória de Lula em 2002, porém, significou uma virada do jogo. O projeto popular foi preterido em favor de uma administração lulista do projeto neoliberal. Três razões levaram a isso: a) primeiro, as expectativas da eleição de um migrante-operário a Presidente da República estavam muito acima das forças reais de organização popular. Havia uma disparidade entre tais expectativas e a capacidade efetiva de mobilizar a população. O voto no Lula, mais do que uma decisão consciente, representou um “voto de transferência”. O cidadão transfere o exercício da cidadania para seu representante político. É um dos males da democracia representativa; b) em segundo lugar, diante desse desencontro entre expectativas e forças vivas, Lula escreve uma carta endereçada ao povo brasileiro, mas dirigida ao mercado financeiro nacional e internacional, no sentido de g arantir que o Brasil honraria com todos os seus compromissos. Trata-se de aplacar o medo de mudanças drásticas; c) por fim, Lula precisava governar: fez então uma aliança onde entraram em jogo os setores mais diversos da sociedade brasileira. Ao invés de contar com as forças sociais, Lula buscou apoio à direita e à esquerda, incluindo tradicionais oligarquias, historicamente retrógradas e avessas a qualquer tipo de mudança.
Começa então o jeito Lula de governar. Pouco mexe no vespeiro das oligarquias há tempo assentadas no poder, e que no fundo comandam o Estado (bancada ruralista, setor financeiro, tele-comunicações, indústria, empreiteiras, agronegócio, etc.), mas abre algumas janelas para os pobres (bolsa-família, micro-crédito, cotas para universidade, aumento do salário mínimo, obras do PAC, etc.). Ou seja, procura contentar os dois extremos: por um lado, o topo da pirâmide formado pelas famílias mais ricas do país; por outro, a base da pirâmide, onde se encontram as camadas C e D da população. A classe média, se é que existe isso no Brasil, se vê pressionada de todos os lados, especialmente pelo volume de impostos. Tudo isso temperado com boa dose de populismo, personalismo, centralismo e outros “ismos”. Pai dos pobres e mãe dos ricos? Getulismo reciclado? São avaliações possíveis! Mas talvez se deva estudar mais de perto o “lulismo”, como já o fazem alguns analistas.
Decorre daí que em 2010 José Serra e Dilma Rousself representam duas maneiras de levar adiante o modelo neoliberal brasileiro, de um país periférico ou emergente, como se queira. Uma dessa maneiras de governar certamente seguirá com as janelas abertas aos mais pobres, embora seja difícil chamar isso de políticas públicas. Mais parecem ensaios provisórios que ganharam caráter definitivo. A outra maneira de governar segue sendo uma incógnita a esse respeito. Cortar esses benefícios pontuais seria um tiro no pé! O ponto mais grave talvez esteja no programa de aprofundamento das privatizações, se bem que o governo Lula também não deixou de privatizar (concessão de estradas, por exemplo).
Concluindo, é difícil ver rupturas tão substanciais de FHC a Lula e deste ao próximo presidente. Há mudanças secundárias, sem dúvida, mas o núcleo do modelo permanece intocável. Aliás, as ondas de transformações superficiais muitas vezes escondem a continuidade das correntes subterrâneas, na economia, na política e na ação social. Numa palavra, não vejo motivo para jogar tanta lama no ventilador e, com isso, ofuscar mais do que elucidar os verdadeiros problemas da nação. Reduz-se a discussão eleitoral a uma troca de farpas que acentua a miopia nacional, ao invés colocar sobre a mesa os temas relevantes do destino do destino do país. A pauta se empobrece e, em lugar de luz para enxergar o caminho, o povo se vê diante de uma fumaça enganadora.
No atual momento, é quase impossível reverter os estragos feitos pelo ventilador da Internet e dos meios de comunicação social em geral. Multiplicar notas, desculpas ou esclarecimentos parece que só faz aumentar a confusão. Não é isso o que se espera de um debate sério e robusto como requer o processo eleitoral. Onde estão temas como preservação do meio ambiente, reforma agrária e agrícola, sistema público de saúde, transportes de qualidade, extensão da malha ferroviária, marco da educação, alternativas energéticas, propostas de reciclagem, combate à violência no campo e na cidade, ciência e tecnologia, bioética e engenharia genética – entre tantos outros!?...
Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS
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Estou em campanha, pedindo seu voto para o Apenas um Ponto Esportivo no TOP Blog categoria esportes para votar clique aqui
Desde já agradeço a todos que votaram no 1o turno e que votarão agora. Obrigada!
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22 agosto 2010
Coincidência, acaso ou destino?
Faz um tempo que assisti um filme água com açúcar que é uma delícia: Escrito nas Estrelas ( foto).
Esse casal se conhece no final de ano, numa loja ao comprar luvas para o frio, batem um papo, se dão bem, mas só isso, os dois são comprometidos e a história é apenas uma passagem do dia a dia.
A moça é meio maluca e o rapaz um cara comum. Ela acredita no destino e também que tudo o que acontece tem uma razão de ser, quando ele pergunta o telefone dela para que pudessem se falar no futuro e ela responde: "Não posso lhe dar, porque se fosse para termos algo você e eu seríamos livres, estou noiva... melhor não."
Ele, com cara de incógnita, faz um bocejo do tipo: ah?
Ela insiste: Nada acontece por acaso, tem um motivo para estarmos aqui, mas eu não vou te dar meu telefone. Se tivermos que nos reencontrar, isso acontecerá.
Ele se invoca: E se você for a mulher da minha vida?
Quando ele a convence, bate um vento e leva o papel e ela sai correndo dizendo, está vendo? O universo está mandando os sinais.
Ela protagoniza várias situações hilárias durante o filme, eles se encontram, mas não se encontram, um entra por uma porta e outro sai por outra, convivem juntos muito perto, nunca se veêm.
Ele presta mais atenção nos sinais.
Por que estou contando isso hoje?
Porque tantas vezes acontecem coisas sem explicação, um horário errado, alguém que você queria ver e não conseguiu, uma passagem que acabou, um horário que não tem mais, estar num lugar no qual você não queria estar, mas está.
E quando se falam em relacionamentos onde acredita-se( inclusive eu) que todo dia nos preparamos para sermos melhores para nós mesmos e para encontrar alguém, que enquanto essa preparação não estiver completa o universo dá um jeito de proporcionar situações que vão te moldar.
O mais legal é que tudo isso não segue nenhuma lógica, ninguém sabe como e nem quando, onde e quem estará envolvido nesse caminho, cada dia é único.
Eu entendo que estou exatamente onde deveria estar, embora não entenda o porquê.
Deixo uma frase para encerrar: ( Eugenio Mussak - Vida Simples)
"Meus amigos estão em um canto especial de meu coração. Que bom que eu tenho de quem lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer ter feito parte de minha história e por me ajudar a ser quem eu sou."
Esse casal se conhece no final de ano, numa loja ao comprar luvas para o frio, batem um papo, se dão bem, mas só isso, os dois são comprometidos e a história é apenas uma passagem do dia a dia.
A moça é meio maluca e o rapaz um cara comum. Ela acredita no destino e também que tudo o que acontece tem uma razão de ser, quando ele pergunta o telefone dela para que pudessem se falar no futuro e ela responde: "Não posso lhe dar, porque se fosse para termos algo você e eu seríamos livres, estou noiva... melhor não."
Ele, com cara de incógnita, faz um bocejo do tipo: ah?
Ela insiste: Nada acontece por acaso, tem um motivo para estarmos aqui, mas eu não vou te dar meu telefone. Se tivermos que nos reencontrar, isso acontecerá.
Ele se invoca: E se você for a mulher da minha vida?
Quando ele a convence, bate um vento e leva o papel e ela sai correndo dizendo, está vendo? O universo está mandando os sinais.
Ela protagoniza várias situações hilárias durante o filme, eles se encontram, mas não se encontram, um entra por uma porta e outro sai por outra, convivem juntos muito perto, nunca se veêm.
Ele presta mais atenção nos sinais.
Por que estou contando isso hoje?
Porque tantas vezes acontecem coisas sem explicação, um horário errado, alguém que você queria ver e não conseguiu, uma passagem que acabou, um horário que não tem mais, estar num lugar no qual você não queria estar, mas está.
E quando se falam em relacionamentos onde acredita-se( inclusive eu) que todo dia nos preparamos para sermos melhores para nós mesmos e para encontrar alguém, que enquanto essa preparação não estiver completa o universo dá um jeito de proporcionar situações que vão te moldar.
O mais legal é que tudo isso não segue nenhuma lógica, ninguém sabe como e nem quando, onde e quem estará envolvido nesse caminho, cada dia é único.
Eu entendo que estou exatamente onde deveria estar, embora não entenda o porquê.
Deixo uma frase para encerrar: ( Eugenio Mussak - Vida Simples)
"Meus amigos estão em um canto especial de meu coração. Que bom que eu tenho de quem lembrar, de quem sentir saudades e a quem agradecer ter feito parte de minha história e por me ajudar a ser quem eu sou."
13 julho 2010
Prestem atenção no CQC
Este ano tem eleições e o CQC tem apresentado alguns absurdos e abuso de poder, vejam a reportagem onde Danilo Gentili apanhou dos Guardas Municipais em São Bernardo do Campo.
Quando falta explicação e argumento parte-se para a violência, é por eles que queremos ser governados?
Danilo Gentili tem apanhado com frequência, vejam a reportagem do com o humorista do CQC
Flávia Tavares, de O Estado de S. Paulo
Depois de ler repetidas redações do garoto com críticas ao sistema de avaliação da escola, em que "um aluno criativo o suficiente pra bolar um método de cola diferente tira zero, mas quem decora a matéria tira dez", a professora decidiu chamar a mãe do menino para uma conversa: "Não sei se seu filho é um poeta ou um canalha". Ela não imaginava, mas anunciava ali a ambiguidade que marcaria a vida de Danilo Gentili, hoje com 30 anos. O moleque contestador de voz suave transformado num repórter enorme que apanha publicamente. O comediante que foi fazer graça depois de perder pai e irmã em menos de um ano. A celebridade nacional que nasceu e cresceu num cortiço de Santo André.
A cara lavada, quase fria, com que ele coloca autoridades na parede nos quadros do CQC (Custe o que Custar, programa da TV Bandeirantes) desperta a ira de quem está sendo pressionado e a admiração de quem está sendo defendido. Nas últimas três semanas, Danilo e sua equipe sofreram três agressões. O ABC paulista não tem sido especialmente gentil com ele. Um dos episódios foi em São Bernardo do Campo, outro, em sua cidade natal. A primeira agressão foi cortesia da Guarda Municipal de São Bernardo, que não se preocupou em esconder das câmeras os safanões no repórter depois das denúncias do quadro Proteste Já!, sobre uma escola que corre risco de soterramento.
Nessa semana, os afagos vieram de militantes do PT, em Santo André, em evento da candidata Dilma Rousseff, que se viu compelida a defender o rapaz no microfone. Ela estava acompanhada de Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo que o enfrentou depois da agressão de seus guardas, e de Marta Suplicy, cujos seguranças também já deram uns petelecos em Danilo. "Marinho e Marta falavam pra Dilma: ‘continua, continua’. Temos isso gravado, tomara que vá ao ar", diz Danilo. Entre um episódio e outro, o chefe de gabinete e ex-prefeito de Analândia, a 236 quilômetros de São Paulo, também mostrou ao comediante/repórter as consequências de perguntas indesejadas e gracejos poéticos ou canalhas. "É uma covardia, porque essas pessoas não batem na minha cara e ficam para brigar. Elas dão chutes e socos discretos, ficam provocando", relata.
Drama distorcido. No meio de toda essa hostilidade, Danilo visitou na quinta-feira a casinha de quarto e sala onde nasceu, na periferia de Santo André, e se pegou de olhos regados pelas memórias de tempos felizes, tempos difíceis e de porradas mais simbólicas que tomou por ali. "Foi meu pai que ergueu essa antena. E colocou esse poste de varal", suspirava. Há 12 anos, Danilo pai morria de enfarte, em plena Copa do Mundo, depois de dez anos desempregado de um emprego que nem existe mais, o de técnico de máquina de escrever. Danilo filho, ou Juninho, como é carinhosamente tratado pelas vizinhas de cortiço, tinha 18 anos quando a irmã, Karina, de 24, morreu em um acidente de carro, apenas oito meses depois da morte do pai. Sua mãe, Guiomar, também sofreu um acidente automobilístico quando buscava uma doação para o orfanato onde trabalhava; perdeu um dedo da mão e foi aposentada por invalidez.
O carro de Danilo foi roubado e ele ficou sem a namorada. Tudo isso num período de dois anos. Naquela época, o jovem tentava incrementar a baixíssima renda familiar com trabalhos diversos. Ajudava no estoque do shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo; entregava amostras grátis de remédios em consultórios médicos (e odiava passar na frente dos doentes para isso); foi auxiliar administrativo da prefeitura de Santo André na gestão do petista Celso Daniel (assassinado em 2002), tendo sido convocado até para ajudar os garis em enchentes na cidade. Arriscou uma carreira de pastor da Igreja Batista, mas não se conteve e, como nas redações escolares, criticava o dízimo em suas pregações, sendo expulso dos cultos. Sonhava em ser cineasta, mas não podia pagar o curso. Acabou fazendo Comunicação Social na UniABC, faculdade que maldiz. "Me identifico com o ABC. É um berço de proletariado, de empregados. Não sou anarquista, mas me identifico com a anarquia do ABC."
Com tudo dando errado, decidiu esquecer "aquela vidinha de arrumar um empreguinho e dali a 40 anos, se tivesse muita sorte e não ficasse doente, quem sabe comprar uma casa própria" para que foi criado. Tentou a sorte na comédia. "A base da comédia é o drama. É o drama distorcido", justifica a escolha inusitada, antes de desembestar num discurso incompatível com o tom sensível de sua voz. "Eu não tenho nada a perder. O comediante autêntico tem que ter uma visão de mundo e hoje a minha é a seguinte: sou totalmente descrente da humanidade. Não acredito na sinceridade das pessoas, não acredito que as coisas funcionem. Mas isso vem de antes de meu pai e minha irmã morrerem. Eu era pior. Quando você toma porrada, fica mais maleável." Nascia ali o comediante sem nada a perder, que fala o que quer e ouve o que não quer, descrente e cínico. O sarcasmo descomprometido está presente também nos quadrinhos que rabisca, mas não publica - o personagem Wilbor, por exemplo, seria um "alter ego da época em que eu só me dava mal".
A cultura de "stand-up comedy" estava chegando ao Brasil e, sem saber, Danilo era fã de alguns de seus expoentes americanos, como Jerry Lewis e Eddie Murphy, estrelas das sessões da tarde de sua infância. Enviou textos para a trupe do Clube da Comédia, recém-criado por Marcelo Mansfield, Rafinha Bastos, Marcela Leal, Oscar Filho e Márcio Ribeiro. Foi aceito e começou a fazer shows em bares e casas de teatro. Antes de ser chamado para o CQC, já lotava plateias, como faz toda sexta-feira, em São Paulo, com seu espetáculo solo. "Hoje, vivo confortavelmente com o que ganho como comediante e na TV." Ajudou a quitar uma casa de dois dormitórios para a mãe, em Santo André, comprou um apartamento na Bela Vista e um carro para cada um. Mas não é de ostentar. Está sempre de calça jeans e, seguindo sua filosofia de preto-no-branco, só usa camisetas dessas cores. "Odeio estampa." Ele se prepara agora para abrir, com Rafinha Bastos, um bar em São Paulo para revelar novos talentos da comédia.
Surra no Ibope. Pelo CQC, veste o mal cortado terno preto e os óculos escuros que uniformizam os rapazes e a garota do time. É bem tratado por alguns políticos, como Aloizio Mercadante, Flávio Dino e Paulo Maluf, apesar de o doutor já ter processado o programa. Não foi o único, provavelmente não será o último. Marta Suplicy também abriu processo, que também foi encerrado. Luiz Marinho cogita processar Danilo por desacato a autoridade. José Sarney não recorreu à Justiça, mas seus seguranças jogaram Danilo no chão do Congresso na época do escândalo dos atos secretos. Aliás, o Congresso estuda a possibilidade de proibir o trabalho do CQC em seus corredores. Aos que argumentam que esse tipo de humor-verdade-camicase ridiculariza os políticos e as instituições, Danilo responde: "Não é a mídia que ridiculariza os políticos, é o que eles mesmos fazem. A gente só expõe".
O "patrão" Marcelo Tas, que com seu repórter Ernesto Varela inaugurou as entrevistas constrangedoras e certeiras na TV brasileira, defende os pupilos. "Eu, que tenho alguns anos de estrada e cobertura de eleições nas costas, constato com tristeza que a redemocratização brasileira, além de eleições livres, trouxe também novas ferramentas de censura", declarou por e-mail. "Dentro da equipe, temos discussões sobre a ética da nossa conduta. Quando avaliamos qualquer fuga de rota, reconhecemos o erro e mudamos imediatamente de rumo." Nessas avaliações, Tas já recomendou a seus repórteres que maneirassem nos palavrões, já que tantas crianças e famílias assistem ao programa. E foi só. A Bandeirantes oferece assessoria jurídica ao programa e os patrocinadores parecem entender seu caráter ousado.
Danilo acredita que esse tipo de inquisição política que o CQC promove ajuda na formação desses jovens brasileiros que se divertem diante da TV. "O que o CQC faz é muito resumido. É óbvio que não tem a profundidade de uma matéria de jornal, de uma revista semanal. Mas o valor do CQC é despertar o interesse, para o espectador ir se aprofundar mais." Danilo diz que vai anular seu voto nas eleições de outubro. Admite ser convencido do contrário caso algum dos presidenciáveis que ele segue se mostre confiável.
Apanhar com tanta frequência - e os episódios devem aumentar com a proximidade das eleições, acredita Danilo - tem ajudado a turbinar o ibope da atração, que bateu recorde de audiência desde a estreia, em 2008, na última segunda-feira, com pico de 10,5 pontos. Mas ele garante que não entra nas pautas pensando em quem provocar para tomar o próximo chega-pra-lá. "Para a minha imagem, também é um risco. É muito fina a linha em que eu caminho. Pode acontecer de eu chegar num cara e ele me desmontar, ou eu entrar numa briga e perder a cabeça." No episódio de São Bernardo, ele quase perdeu. Nos outros dois, ficou quieto, esperou a situação se acalmar. Enquanto não toma a porrada definitiva, continua de microfone na mão, correndo atrás de confusão. A qualquer custo.
Quando falta explicação e argumento parte-se para a violência, é por eles que queremos ser governados?
Danilo Gentili tem apanhado com frequência, vejam a reportagem do com o humorista do CQC
Flávia Tavares, de O Estado de S. Paulo
Depois de ler repetidas redações do garoto com críticas ao sistema de avaliação da escola, em que "um aluno criativo o suficiente pra bolar um método de cola diferente tira zero, mas quem decora a matéria tira dez", a professora decidiu chamar a mãe do menino para uma conversa: "Não sei se seu filho é um poeta ou um canalha". Ela não imaginava, mas anunciava ali a ambiguidade que marcaria a vida de Danilo Gentili, hoje com 30 anos. O moleque contestador de voz suave transformado num repórter enorme que apanha publicamente. O comediante que foi fazer graça depois de perder pai e irmã em menos de um ano. A celebridade nacional que nasceu e cresceu num cortiço de Santo André.
A cara lavada, quase fria, com que ele coloca autoridades na parede nos quadros do CQC (Custe o que Custar, programa da TV Bandeirantes) desperta a ira de quem está sendo pressionado e a admiração de quem está sendo defendido. Nas últimas três semanas, Danilo e sua equipe sofreram três agressões. O ABC paulista não tem sido especialmente gentil com ele. Um dos episódios foi em São Bernardo do Campo, outro, em sua cidade natal. A primeira agressão foi cortesia da Guarda Municipal de São Bernardo, que não se preocupou em esconder das câmeras os safanões no repórter depois das denúncias do quadro Proteste Já!, sobre uma escola que corre risco de soterramento.
Nessa semana, os afagos vieram de militantes do PT, em Santo André, em evento da candidata Dilma Rousseff, que se viu compelida a defender o rapaz no microfone. Ela estava acompanhada de Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo que o enfrentou depois da agressão de seus guardas, e de Marta Suplicy, cujos seguranças também já deram uns petelecos em Danilo. "Marinho e Marta falavam pra Dilma: ‘continua, continua’. Temos isso gravado, tomara que vá ao ar", diz Danilo. Entre um episódio e outro, o chefe de gabinete e ex-prefeito de Analândia, a 236 quilômetros de São Paulo, também mostrou ao comediante/repórter as consequências de perguntas indesejadas e gracejos poéticos ou canalhas. "É uma covardia, porque essas pessoas não batem na minha cara e ficam para brigar. Elas dão chutes e socos discretos, ficam provocando", relata.
Drama distorcido. No meio de toda essa hostilidade, Danilo visitou na quinta-feira a casinha de quarto e sala onde nasceu, na periferia de Santo André, e se pegou de olhos regados pelas memórias de tempos felizes, tempos difíceis e de porradas mais simbólicas que tomou por ali. "Foi meu pai que ergueu essa antena. E colocou esse poste de varal", suspirava. Há 12 anos, Danilo pai morria de enfarte, em plena Copa do Mundo, depois de dez anos desempregado de um emprego que nem existe mais, o de técnico de máquina de escrever. Danilo filho, ou Juninho, como é carinhosamente tratado pelas vizinhas de cortiço, tinha 18 anos quando a irmã, Karina, de 24, morreu em um acidente de carro, apenas oito meses depois da morte do pai. Sua mãe, Guiomar, também sofreu um acidente automobilístico quando buscava uma doação para o orfanato onde trabalhava; perdeu um dedo da mão e foi aposentada por invalidez.
O carro de Danilo foi roubado e ele ficou sem a namorada. Tudo isso num período de dois anos. Naquela época, o jovem tentava incrementar a baixíssima renda familiar com trabalhos diversos. Ajudava no estoque do shopping Metrópole, em São Bernardo do Campo; entregava amostras grátis de remédios em consultórios médicos (e odiava passar na frente dos doentes para isso); foi auxiliar administrativo da prefeitura de Santo André na gestão do petista Celso Daniel (assassinado em 2002), tendo sido convocado até para ajudar os garis em enchentes na cidade. Arriscou uma carreira de pastor da Igreja Batista, mas não se conteve e, como nas redações escolares, criticava o dízimo em suas pregações, sendo expulso dos cultos. Sonhava em ser cineasta, mas não podia pagar o curso. Acabou fazendo Comunicação Social na UniABC, faculdade que maldiz. "Me identifico com o ABC. É um berço de proletariado, de empregados. Não sou anarquista, mas me identifico com a anarquia do ABC."
Com tudo dando errado, decidiu esquecer "aquela vidinha de arrumar um empreguinho e dali a 40 anos, se tivesse muita sorte e não ficasse doente, quem sabe comprar uma casa própria" para que foi criado. Tentou a sorte na comédia. "A base da comédia é o drama. É o drama distorcido", justifica a escolha inusitada, antes de desembestar num discurso incompatível com o tom sensível de sua voz. "Eu não tenho nada a perder. O comediante autêntico tem que ter uma visão de mundo e hoje a minha é a seguinte: sou totalmente descrente da humanidade. Não acredito na sinceridade das pessoas, não acredito que as coisas funcionem. Mas isso vem de antes de meu pai e minha irmã morrerem. Eu era pior. Quando você toma porrada, fica mais maleável." Nascia ali o comediante sem nada a perder, que fala o que quer e ouve o que não quer, descrente e cínico. O sarcasmo descomprometido está presente também nos quadrinhos que rabisca, mas não publica - o personagem Wilbor, por exemplo, seria um "alter ego da época em que eu só me dava mal".
A cultura de "stand-up comedy" estava chegando ao Brasil e, sem saber, Danilo era fã de alguns de seus expoentes americanos, como Jerry Lewis e Eddie Murphy, estrelas das sessões da tarde de sua infância. Enviou textos para a trupe do Clube da Comédia, recém-criado por Marcelo Mansfield, Rafinha Bastos, Marcela Leal, Oscar Filho e Márcio Ribeiro. Foi aceito e começou a fazer shows em bares e casas de teatro. Antes de ser chamado para o CQC, já lotava plateias, como faz toda sexta-feira, em São Paulo, com seu espetáculo solo. "Hoje, vivo confortavelmente com o que ganho como comediante e na TV." Ajudou a quitar uma casa de dois dormitórios para a mãe, em Santo André, comprou um apartamento na Bela Vista e um carro para cada um. Mas não é de ostentar. Está sempre de calça jeans e, seguindo sua filosofia de preto-no-branco, só usa camisetas dessas cores. "Odeio estampa." Ele se prepara agora para abrir, com Rafinha Bastos, um bar em São Paulo para revelar novos talentos da comédia.
Surra no Ibope. Pelo CQC, veste o mal cortado terno preto e os óculos escuros que uniformizam os rapazes e a garota do time. É bem tratado por alguns políticos, como Aloizio Mercadante, Flávio Dino e Paulo Maluf, apesar de o doutor já ter processado o programa. Não foi o único, provavelmente não será o último. Marta Suplicy também abriu processo, que também foi encerrado. Luiz Marinho cogita processar Danilo por desacato a autoridade. José Sarney não recorreu à Justiça, mas seus seguranças jogaram Danilo no chão do Congresso na época do escândalo dos atos secretos. Aliás, o Congresso estuda a possibilidade de proibir o trabalho do CQC em seus corredores. Aos que argumentam que esse tipo de humor-verdade-camicase ridiculariza os políticos e as instituições, Danilo responde: "Não é a mídia que ridiculariza os políticos, é o que eles mesmos fazem. A gente só expõe".
O "patrão" Marcelo Tas, que com seu repórter Ernesto Varela inaugurou as entrevistas constrangedoras e certeiras na TV brasileira, defende os pupilos. "Eu, que tenho alguns anos de estrada e cobertura de eleições nas costas, constato com tristeza que a redemocratização brasileira, além de eleições livres, trouxe também novas ferramentas de censura", declarou por e-mail. "Dentro da equipe, temos discussões sobre a ética da nossa conduta. Quando avaliamos qualquer fuga de rota, reconhecemos o erro e mudamos imediatamente de rumo." Nessas avaliações, Tas já recomendou a seus repórteres que maneirassem nos palavrões, já que tantas crianças e famílias assistem ao programa. E foi só. A Bandeirantes oferece assessoria jurídica ao programa e os patrocinadores parecem entender seu caráter ousado.
Danilo acredita que esse tipo de inquisição política que o CQC promove ajuda na formação desses jovens brasileiros que se divertem diante da TV. "O que o CQC faz é muito resumido. É óbvio que não tem a profundidade de uma matéria de jornal, de uma revista semanal. Mas o valor do CQC é despertar o interesse, para o espectador ir se aprofundar mais." Danilo diz que vai anular seu voto nas eleições de outubro. Admite ser convencido do contrário caso algum dos presidenciáveis que ele segue se mostre confiável.
Apanhar com tanta frequência - e os episódios devem aumentar com a proximidade das eleições, acredita Danilo - tem ajudado a turbinar o ibope da atração, que bateu recorde de audiência desde a estreia, em 2008, na última segunda-feira, com pico de 10,5 pontos. Mas ele garante que não entra nas pautas pensando em quem provocar para tomar o próximo chega-pra-lá. "Para a minha imagem, também é um risco. É muito fina a linha em que eu caminho. Pode acontecer de eu chegar num cara e ele me desmontar, ou eu entrar numa briga e perder a cabeça." No episódio de São Bernardo, ele quase perdeu. Nos outros dois, ficou quieto, esperou a situação se acalmar. Enquanto não toma a porrada definitiva, continua de microfone na mão, correndo atrás de confusão. A qualquer custo.
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